Mais de 1,6 milhão de inspeções veiculares são realizadas por ano no Brasil; entenda o que é verificado
Setor reúne mais de 500 empresas e atua na avaliação de veículos modificados, transporte escolar, GNV, ciclomotores e outras situações relacionadas à segurança.

Mais de 1,6 milhão de inspeções veiculares são realizadas anualmente no Brasil, segundo dados divulgados pela Federação Nacional da Inspeção Veicular (Fenive), que completa 15 anos neste mês de setembro. A atividade envolve situações diretamente relacionadas à segurança dos veículos que circulam pelas ruas e rodovias, como modificações das características originais, instalação de Gás Natural Veicular (GNV), transporte escolar e veículos recuperados de sinistros.
O setor reúne mais de 500 empresas em todo o país, além de cerca de 800 engenheiros e 1,5 mil técnicos industriais. A Fenive representa sete associações estaduais e regionais e congrega associações das Instituições Técnicas Licenciadas pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) e organismos acreditados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).
Criada em 2011, a federação afirma que as mudanças na frota, nas tecnologias utilizadas pelos veículos e na própria legislação aumentaram as demandas relacionadas à inspeção veicular e à interlocução entre as empresas responsáveis pelos procedimentos e os órgãos de regulamentação e fiscalização.
Inspeção está relacionada à segurança dos veículos
De acordo com os dados apresentados pela Fenive, falhas mecânicas estão relacionadas a mais de 7% dos sinistros de trânsito. O release compara esse percentual ao registrado em ocorrências associadas ao uso de substâncias proibidas.
É nesse contexto que a inspeção veicular ganha importância para a segurança viária. A atividade abrange diferentes tipos de veículos e situações que exigem avaliação técnica.
Entre elas estão as modificações das características originais dos veículos, instalação e inspeção de sistemas de GNV, transporte escolar, veículos recuperados após sinistros, ciclomotores, caminhões basculantes, veículos pesados e aqueles destinados ao transporte de produtos perigosos.
“A Fenive nasceu para representar e fortalecer um setor extremamente técnico e que tem relação direta com a segurança de quem circula pelas ruas e rodovias brasileiras. Ao longo desse tempo, trabalhamos para transformar a experiência de quem está na ponta em propostas, melhorias e avanços para a inspeção veicular”, afirma a presidente da Fenive, Adriana Castro.
Digitalização mudou os processos de inspeção
A atividade também vem passando por mudanças tecnológicas. Em 2025, novas exigências determinaram a digitalização de processos e o armazenamento em nuvem dos registros das inspeções, ampliando a rastreabilidade das informações e as possibilidades de auditoria.
Conforme o diretor executivo da Fenive, Daniel Bassoli, também estão sendo desenvolvidas iniciativas que envolvem a utilização de checklists digitais durante as inspeções e o uso de inteligência artificial como ferramenta de auxílio às operações e à fiscalização.
As mudanças acompanham a própria evolução tecnológica dos automóveis, que exige atualização dos procedimentos utilizados para avaliar as condições dos veículos.
Regulamentação e fiscalização estão entre os debates
Além da atividade realizada pelas instituições de inspeção, a Fenive participa de discussões sobre regulamentação e segurança veicular junto a órgãos como Ministério dos Transportes, Senatran, Inmetro, Conselho Nacional de Trânsito (Contran), Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e departamentos estaduais de trânsito (Detrans).
A federação também participa da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), incluindo trabalhos relacionados a normas para estações móveis de inspeção, veículos escolares e veículos movidos a GNV, além do aperfeiçoamento das normas de referência 14040 e 14180 para inspeção de segurança veicular.
“Quem realiza a inspeção identifica na prática problemas de aplicação das normas e situações que precisam ser aperfeiçoadas. Nosso trabalho é fazer essas demandas chegarem aos órgãos responsáveis e contribuir tecnicamente para as soluções”, afirma Bassoli.
A entidade passou ainda a integrar a Câmara Temática de Gestão e Coordenação do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), vinculada ao Contran.
Tecnologia dos veículos traz novos desafios
Para os próximos anos, a Fenive aponta como prioridades questões relacionadas à evolução tecnológica dos veículos, à integração de dados e à atualização das normas. Dessa forma, buscando maior aproximação entre regulamentação, inspeção e fiscalização. “São 15 anos de história, mas principalmente de trabalho pelo fortalecimento da inspeção veicular. Ainda há muito a avançar. A Fenive continuará presente onde as decisões acontecem. Assim, levando conhecimento técnico, representando o setor e defendendo medidas que contribuam efetivamente para a segurança no trânsito”, conclui Adriana Castro.
A evolução dos veículos e dos próprios processos de fiscalização coloca, portanto, novos desafios para a inspeção veicular. Em um setor que realiza mais de 1,6 milhão de procedimentos por ano, digitalização, rastreabilidade e atualização técnica passam a fazer parte da discussão sobre como identificar condições que podem comprometer a segurança dos veículos em circulação.
