Romeiro é atropelado na Via Dutra: como peregrinos e motoristas podem reduzir os riscos
Acidente com adolescente ocorreu às vésperas do feriado de Nossa Senhora Aparecida, período em que aumenta a circulação de pessoas a pé, ciclistas e veículos nas rodovias.

Um adolescente de 15 anos que seguia em romaria para Aparecida foi atropelado por um caminhão na tarde de quinta-feira (8), na Rodovia Presidente Dutra, em Taubaté (SP). O caso ocorreu justamente no início do período de maior movimentação de peregrinos às margens das rodovias e reforça a necessidade de atenção tanto de quem realiza o percurso a pé quanto dos motoristas.
Conforme informações da Polícia Rodoviária Federal divulgadas pela imprensa, o trânsito estava lento no quilômetro 103,7, no sentido Rio de Janeiro. O motorista do caminhão teria se deslocado para o acostamento para evitar uma colisão traseira e atingido o adolescente que caminhava pelo local. O jovem foi socorrido consciente e encaminhado em estado grave ao Pronto-Socorro de Pindamonhangaba. Não havia, até a publicação desta matéria, uma atualização oficial sobre seu estado de saúde.
A proximidade de 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida, amplia a presença de pedestres, ciclistas, veículos de apoio e motoristas em diferentes rodovias brasileiras. Além da peregrinação até o Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, o período também reúne grandes manifestações religiosas em outras regiões do país, como o Círio de Nazaré, no Pará.
A Polícia Rodoviária Federal iniciou uma operação especial diante do aumento da circulação de pedestres, ciclistas, motociclistas e veículos. Na Via Dutra, haverá reforço de viaturas, motocicletas e equipes de orientação em pontos estratégicos.
Acostamento não elimina o risco de atropelamento
Embora seja utilizado por muitos peregrinos, o acostamento faz parte da estrutura da rodovia e pode ser invadido por veículos em situações de emergência, falhas mecânicas, perda de controle ou manobras inesperadas.
O próprio caso ocorrido em Taubaté demonstra essa vulnerabilidade: segundo as informações iniciais, o caminhão entrou no acostamento ao tentar evitar uma colisão com veículos que estavam à frente.
Por isso, caminhar às margens de uma rodovia exige atenção permanente. Sempre que existir uma rota alternativa, separada do tráfego, ela deve ser priorizada. Também é importante seguir os trajetos indicados pelas autoridades, concessionárias e equipes responsáveis pela operação.
No percurso até Aparecida, uma das alternativas é a Rota da Luz, que começa em Mogi das Cruzes e passa por estradas secundárias e rurais. Mesmo nesse trajeto, entretanto, o peregrino precisa observar as condições do caminho, planejar os horários e evitar deslocamentos noturnos em locais isolados ou com pouca visibilidade.
Caminhe de frente para os veículos
Quando não houver uma estrutura exclusiva para pedestres e for necessário caminhar nas proximidades da rodovia, a orientação da PRF é seguir no sentido contrário ao fluxo. Dessa maneira, o peregrino consegue visualizar os veículos que se aproximam e reagir com maior antecedência diante de uma situação de perigo.
Os participantes devem caminhar em fila, evitando ocupar a pista ou formar grupos muito largos. Também não é seguro parar sobre o acostamento para descansar, reorganizar o grupo ou aguardar outros integrantes.
As pausas precisam ocorrer em postos de combustíveis, pontos de apoio, estabelecimentos comerciais ou áreas afastadas da circulação de veículos.
Ser visto é tão importante quanto ver
Roupas claras, coletes e faixas refletivas aumentam a possibilidade de o pedestre ser percebido pelo motorista. Lanternas também podem ser utilizadas, desde que não sejam direcionadas para os olhos dos condutores.
O uso de materiais refletivos é ainda mais importante ao amanhecer, no fim da tarde, à noite, sob chuva ou neblina. Nessas condições, a visibilidade fica reduzida e o motorista pode perceber a presença do peregrino tarde demais.
A recomendação, entretanto, é evitar a caminhada durante a noite ou em condições meteorológicas desfavoráveis. A roupa refletiva ajuda, mas não elimina o risco provocado pela baixa visibilidade.
O peregrino também deve evitar fones de ouvido e o uso do celular durante o deslocamento. Sons, mensagens e vídeos podem impedir que ele perceba a aproximação de veículos, buzinas, alertas das equipes de apoio ou mudanças repentinas no trânsito.
Travessias devem ocorrer em locais seguros
Passarelas, viadutos e pontos de travessia indicados devem ser utilizados mesmo quando aumentarem a distância do percurso. Tentar atravessar diretamente a pista expõe o pedestre a veículos que circulam em velocidades elevadas e podem estar parcialmente encobertos por caminhões, ônibus ou curvas.
Também é necessário respeitar bloqueios, cones, placas temporárias e orientações das equipes presentes na rodovia. Um caminho aparentemente mais curto pode levar a um trecho sem acostamento, com obras ou visibilidade limitada.
Na Via Dutra, a concessionária disponibilizou o mapa “Caminho Consciente 2026”, que indica o trajeto recomendado para pedestres e os pontos de orientação disponíveis durante a romaria. A recomendação aos participantes é consultar o percurso antes de iniciar a caminhada.
Veículos de apoio não devem parar no acostamento
Carros, vans e outros veículos utilizados para transportar água, alimentos, roupas ou participantes precisam permanecer em locais afastados da pista.
Parar no acostamento pode obrigar os peregrinos a se aproximarem da faixa de rolamento, além de reduzir o espaço disponível para emergências. A concentração de pessoas em torno desses veículos também aumenta o risco de atropelamento.
Os pontos de encontro e de descanso devem ser definidos previamente, preferencialmente em postos de combustíveis, estacionamentos e propriedades autorizadas. O embarque e o desembarque dos participantes também precisam ocorrer fora da rodovia.
Motoristas devem reduzir a velocidade
Ao perceber peregrinos ou ciclistas próximos à pista, o motorista deve diminuir a velocidade, ampliar a distância em relação ao veículo da frente e evitar movimentos bruscos.
A atenção precisa ser ainda maior nas proximidades de acessos urbanos, postos de combustíveis, pontos de apoio e locais onde grupos podem realizar travessias. Ultrapassagens devem ser feitas apenas onde houver permissão, visibilidade e espaço suficientes.
O acostamento nunca deve ser utilizado para ultrapassar filas, contornar congestionamentos ou ganhar tempo. Além de ser uma conduta perigosa, o local pode estar sendo ocupado por pedestres, ciclistas, veículos imobilizados e equipes de atendimento.
Também é importante não usar o celular e outras distrações. Em uma rodovia, poucos segundos de desatenção podem fazer com que o motorista deixe de perceber um grupo de pessoas à margem da pista.
Caminhões precisam de mais espaço para parar
O peso e as dimensões dos veículos de carga fazem com que eles necessitem de uma distância maior para reduzir a velocidade ou parar completamente. Essa distância pode aumentar conforme a velocidade, o peso transportado e as condições dos pneus, dos freios e do pavimento.
Peregrinos não devem presumir que um caminhoneiro conseguirá parar imediatamente ao perceber alguém próximo à pista. Também precisam evitar permanecer nos pontos cegos, especialmente próximos à parte dianteira, às laterais e à traseira do veículo.
Para os caminhoneiros, a presença de grupos nas margens exige antecipação. Manter distância segura do veículo da frente reduz a necessidade de frenagens ou desvios repentinos em direção ao acostamento.
Operação terá pontos de apoio durante 24 horas
A Operação Romaria Segura 2026 reúne mais de 400 profissionais e voluntários. De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres, foram instaladas 29 tendas: 23 na Via Dutra e seis na Rota da Luz.
As estruturas funcionarão durante 24 horas entre os dias 9 e 11 de outubro, período de maior movimento. No dia 12, o atendimento está previsto das 6h às 19h.
Também serão distribuídos 30 mil coletes, 120 mil fitas refletivas e 3 mil lanternas para ciclistas. Os pontos oferecem orientação e itens destinados a melhorar a visibilidade dos participantes.
O que fazer em uma emergência
Ao presenciar um atropelamento ou outra ocorrência, a primeira providência é acionar o atendimento especializado. Em rodovias federais, a PRF pode ser chamada gratuitamente pelo telefone 191.
Na Via Dutra, o atendimento da concessionária também está disponível pelo número 0800 017 3536.
Ao pedir ajuda, informe:
- o nome ou o número da rodovia;
- o quilômetro aproximado;
- o sentido da pista;
- um ponto de referência;
- a quantidade e o estado aparente das vítimas;
- se há veículos ou pessoas sobre a pista.
Não se deve movimentar uma pessoa ferida, exceto quando houver risco imediato, como incêndio. Também é perigoso permanecer sobre a faixa de rolamento ou tentar sinalizar a ocorrência expondo-se ao fluxo de veículos.
A peregrinação é uma manifestação de fé, mas o compartilhamento do espaço com veículos em alta velocidade cria riscos que não podem ser ignorados. Planejamento, visibilidade, respeito à sinalização e redução de velocidade são medidas fundamentais para que romeiros, ciclistas e motoristas concluam o percurso com segurança.
