09 de agosto de 2026

Saúde mental no trabalho entra no foco da NR-1; especialista alerta que só cumprir a norma não basta

Especialista afirma que a nova exigência só produzirá resultados se as empresas transformarem a cultura organizacional e não se limitarem ao cumprimento de obrigações documentais.


Por Assessoria de Imprensa Publicado 09/08/2026 às 13h30
Ouvir: 00:00
NR-1 saúde mental
A atualização da NR-1 amplia o foco na prevenção dos riscos psicossociais e reforça que cuidar da saúde mental dos trabalhadores vai além do cumprimento de normas. Foto: ilustração/IA.

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a incluir expressamente os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), amplia a responsabilidade das empresas na prevenção de problemas relacionados à saúde mental dos trabalhadores. Para setores como o transporte, onde jornadas, pressão por prazos e alta responsabilidade fazem parte da rotina de muitos profissionais, o tema também ganha relevância por seus reflexos na segurança e na organização do trabalho.

Conforme o mestre em Ciências Políticas Márcio Kieller, a efetividade da nova regulamentação dependerá da forma como ela será implementada pelas organizações. Na avaliação dele, cumprir apenas as exigências formais da norma não será suficiente para promover mudanças concretas.

“A NR-1 avançou ao reconhecer que o adoecimento mental não pode ser analisado apenas sob a perspectiva individual. A forma como o trabalho é organizado, as práticas de gestão, a distribuição das responsabilidades e a cultura organizacional também podem atuar como fatores de risco. O desafio agora é fazer com que a norma se traduza em mudanças nas empresas. Se não houver revisão dos processos de trabalho e das relações entre lideranças e equipes, o seu potencial transformador será reduzido”, argumenta.

Mudança amplia o foco da prevenção

Desde maio, a NR-1 passou a prever de forma explícita que as empresas devem identificar, avaliar e prevenir fatores psicossociais capazes de comprometer a saúde mental dos trabalhadores.

Entre esses fatores estão metas consideradas abusivas, jornadas extenuantes, assédio moral, pressão excessiva e sobrecarga de trabalho.

A mudança acompanha o aumento dos afastamentos relacionados a transtornos mentais no país.

Segundo dados do Ministério do Trabalho citados pelo especialista, os transtornos de ansiedade lideraram os afastamentos por questões psicossociais no último ano, com 166.489 registros. Em seguida aparecem os episódios depressivos, com 126.608 afastamentos, além das reações ao estresse grave e dos transtornos de adaptação, que somaram 23.773 casos.

Reflexos também podem alcançar o transporte

Embora a atualização da NR-1 seja aplicável a diversos segmentos da economia, o debate também envolve atividades ligadas ao transporte e à mobilidade, nas quais fatores como organização do trabalho, jornadas e pressão operacional fazem parte da rotina de muitos profissionais.

Nesse contexto, a prevenção dos riscos psicossociais pode contribuir para ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis, especialmente em atividades que exigem atenção constante e tomada de decisões durante a condução de veículos.

De acordo com Kieller, isso exige uma atuação permanente das empresas. “A prevenção exige revisão das práticas de gestão, fortalecimento da cultura organizacional e relações de trabalho baseadas em confiança. Não basta identificar riscos ou produzir documentos. É necessário criar ambientes em que os trabalhadores possam participar, relatar problemas e contribuir para a construção de soluções”, explica.

Participação dos trabalhadores é apontada como essencial

O especialista defende que as empresas criem canais permanentes de comunicação para receber relatos dos trabalhadores e acompanhar continuamente os fatores de risco relacionados à saúde mental.

Na avaliação dele, a participação das equipes é um dos elementos necessários para que a norma produza resultados efetivos.

Além da identificação dos riscos, os mecanismos de acompanhamento e a apuração das denúncias também fazem parte das medidas consideradas importantes para prevenir o adoecimento ocupacional.

Fiscalização será determinante

Para Márcio Kieller, os resultados da atualização da NR-1 dependerão não apenas da mudança de postura das empresas, mas também da fiscalização realizada pelos órgãos competentes.

“A regulamentação, por si só, não transforma a realidade. Sua efetividade dependerá da forma como será implementada e acompanhada. Levará alguns anos para que os impactos possam ser medidos, mas uma fiscalização técnica, orientativa e consistente será fundamental para assegurar que as mudanças previstas na NR-1 se traduzam em melhorias concretas nos ambientes de trabalho”, finaliza.

Conforme o especialista, a nova regulamentação representa um avanço ao ampliar o conceito de prevenção em saúde e segurança do trabalho. No entanto, ele ressalta que seu potencial dependerá da capacidade das organizações de incorporar essas exigências à gestão cotidiana, transformando práticas de trabalho e fortalecendo uma cultura voltada ao bem-estar dos trabalhadores.

Assessoria de Imprensa
Assessoria de Imprensa

Conteúdo enviado por Assessoria de Imprensa especializada. Para encaminhar a sua sugestão, basta enviar e-mail para contato@portaldotransito.com.br

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *