Acidente na BR-116 reforça alerta sobre a segurança em viagens de ônibus
Colisão entre ônibus de turismo e carreta deixou seis mortos no norte de Minas Gerais; episódio chama atenção para regularidade do transporte, uso do cinto e acomodação correta das bagagens.

Um grave acidente envolvendo um ônibus de turismo e uma carreta deixou seis pessoas mortas e ao menos 31 feridas na BR-116, em Cachoeira de Pajeú, no norte de Minas Gerais. A colisão aconteceu na noite de terça-feira (15), em um trecho próximo ao entroncamento com a BR-251, e provocou a interdição da rodovia por aproximadamente quatro horas.
Conforme as informações divulgadas pelas equipes que atenderam a ocorrência, o ônibus retornava de São Paulo com destino a Senhor do Bonfim, na Bahia, e transportava passageiros e mercadorias. Após a colisão, os dois veículos capotaram. As circunstâncias do acidente ainda estão sendo investigadas e, por isso, não é possível afirmar de forma conclusiva o que provocou a perda de controle do coletivo.
Além da apuração das responsabilidades, o episódio chama atenção para cuidados que podem reduzir os riscos em viagens rodoviárias, especialmente nas excursões e nos serviços de fretamento.
Transporte interestadual deve estar regularizado
No transporte rodoviário interestadual, as empresas precisam estar habilitadas e cumprir as exigências estabelecidas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). No caso de fretamento turístico ou eventual, a viagem também deve estar vinculada à documentação exigida para esse tipo de operação.
Antes de contratar uma excursão, o passageiro deve buscar informações sobre a empresa, solicitar os dados do transportador e desconfiar de ofertas sem identificação clara, contrato, comprovante de pagamento ou informações sobre o veículo utilizado.
Também é importante verificar se o embarque ocorrerá no local informado, se haverá substituição do ônibus e quem será responsável pela viagem. Dúvidas e denúncias relacionadas ao transporte interestadual podem ser encaminhadas à ANTT pelo telefone 166.
Cinto de segurança também é obrigatório no ônibus
Embora ainda seja ignorado por muitos passageiros, o uso do cinto de segurança é obrigatório nos ônibus rodoviários. Em uma colisão, frenagem brusca ou capotamento, o cinto reduz o risco de o ocupante ser arremessado dentro ou para fora do veículo.
O passageiro deve afivelá-lo assim que ocupar o assento e mantê-lo durante todo o percurso, inclusive enquanto estiver dormindo. Caso o equipamento esteja quebrado, ausente ou sem condições de uso, a situação deve ser comunicada à empresa antes do início da viagem.
Crianças também devem permanecer sentadas e protegidas durante o deslocamento. Caminhar pelo corredor com o ônibus em movimento aumenta o risco de queda em curvas ou freadas inesperadas.
Bagagens não podem bloquear corredores e saídas
Malas, caixas e mercadorias precisam ser armazenadas nos compartimentos apropriados. Objetos soltos no salão de passageiros podem se deslocar durante uma manobra repentina, atingir os ocupantes e dificultar uma eventual evacuação.
Corredores, portas e saídas de emergência devem permanecer completamente desobstruídos. O passageiro não deve aceitar que volumes grandes sejam acomodados entre os bancos ou em locais que impeçam a circulação.
Ao embarcar, também é importante identificar onde estão as saídas de emergência, os martelos para rompimento dos vidros e as orientações de evacuação do veículo.
Quais sinais merecem atenção antes da viagem
O passageiro não consegue realizar uma avaliação mecânica completa, mas algumas situações perceptíveis podem indicar que a viagem não deve começar sem esclarecimentos:
- pneus aparentemente danificados ou excessivamente desgastados;
- para-brisa comprometido;
- luzes externas sem funcionamento;
- cintos quebrados ou ausentes;
- excesso de bagagens dentro do salão;
- corredor ou saídas de emergência bloqueados;
- motorista demonstrando cansaço extremo;
- veículo diferente daquele informado na contratação;
- ausência de identificação da empresa responsável.
A percepção de uma irregularidade deve ser comunicada ao transportador e, quando houver risco à segurança, aos órgãos fiscalizadores.
Em uma emergência, passageiro deve priorizar a própria segurança
Se ocorrer uma pane, colisão ou outro problema durante o percurso, a primeira orientação é manter a calma e seguir as instruções do motorista ou das equipes de resgate. Quando for necessário abandonar o veículo, o passageiro deve deixar objetos pessoais para trás e utilizar a saída indicada, sem bloquear a passagem.
Depois de sair, é preciso afastar-se da pista e permanecer em local protegido. Rodovias apresentam riscos adicionais, como baixa visibilidade, tráfego em alta velocidade, incêndios e possibilidade de novas colisões.
Em situações com vítimas, o atendimento deve ser acionado pelos números 191, da Polícia Rodoviária Federal, 192, do Samu, ou 193, do Corpo de Bombeiros. Pessoas sem treinamento não devem movimentar feridos, salvo quando houver perigo imediato, como incêndio ou risco de atropelamento.
O acidente na BR-116 ainda depende de investigação para que sua dinâmica seja esclarecida. Independentemente da causa, a tragédia reforça que a segurança de uma viagem rodoviária depende da regularidade do transporte, das condições do veículo, da conduta profissional dos motoristas e também de cuidados simples adotados pelos passageiros.
