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02 de março de 2024

Artigo – TRC sem mortes


Por Artigo Publicado 30/11/2021 às 21h00 Atualizado 08/11/2022 às 21h18
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J. Pedro Corrêa aborda os esforços que transportadores rodoviários de carga da Austrália estão desempenhando para atingir a fatalidade zero até 2025.

*J. Pedro Corrêa

“O Governo pretende zerar as fatalidades no transporte de cargas em 2050 mas nós estamos empenhados em conseguir este resultado já em 2025, baixando 25% das mortes a cada ano”. Isto foi dito pelo Presidente da Associação Nacional de Transportes de Cargas da Austrália, ATA, Michael Deegan, na palestra feita para o 3º Fórum Nacional de Segurança Viária, da Raízen/Trimble dias 17/18 de novembro.

Parece otimismo exagerado e, com certeza, mesmo que conte com todo o suporte externo necessário para enfrentar o desafio, ainda assim não será nada fácil. Afinal, sabemos que a Austrália, apesar de ter atingido um nível de desenvolvimento econômico e social muito grande, continua com sérios problemas estruturais. Sua malha rodoviária ainda tem bastante a melhorar, tanto é que uma das metas imediatas do TRC é conseguir atingir o nível 3, no Padrão IRAP, para as rodovias que estão fora dos eixos que ligam as grandes metrópoles australianas.

A falta de motoristas profissionais mais qualificados e a própria escassez de profissionais do volante é outro tema que preocupa as liderança do TRC do país.

O Presidente da Associação Australiana diz que está discutindo com o Governo Federal um plano concreto de ações para apressar a redução da fatalidade zero já para 2025. Um desafio e tanto! Para isto, precisa recursos governamentais e, segundo deu a entender, este não é um problema intransponível.

O que chamou atenção no anúncio da ATA foi a determinação dos transportadores australianos de enfrentar o seríssimo problema dos sinistros fatais das estradas por iniciativa própria, antecipando-se às intenções do governo para atingir o objetivo. Ainda que para isto conte com a indispensável participação do Governo de Canberra provendo o devido financiamento, sobram inúmeros desafios para os operadores do TRC fazerem a sua parte.

Territorialmente a Austrália é quase do tamanho do Brasil, a população é de apenas 26 milhões de habitantes mas possui um Produto Interno Bruto bem próximo do nosso e mantém o 8º IDH do mundo.

O TRC, que emprega cerca de 250.000 pessoas, responde por 7,5% do PIB australiano, pouco mais de 1.3 trilhão de dólares.

Me disse Michael Deegan que os transportadores associados à ATA apoiaram com entusiasmo o plano da entidade de encurtar o prazo da fatalidade zero, o que significa uma intensa atividade por todo o país para alcançar a meta. Obviamente uma coisa é ter um plano, outra é conseguir executá-lo e, finalmente, uma terceira será atingir o resultado estabelecido. Contudo, só o fato de tentar, já é significativo.

A Austrália mostrou algum progresso no campo da segurança no trânsito ao longo dos anos.

Na primeira década mundial de trânsito, de 2011 a 2020, a redução de mortes em geral pelo país foi superior a 10%. O transporte rodoviário de cargas, por exemplo, conseguiu um índice pouco melhor. Os transportadores reclamam de que algumas regiões ainda não possuem estradas de boa qualidade e nem contam ainda com um bom sistema de áreas de descanso, entre outros itens.

Julgo que um ponto essencial nesta história é que, se os australianos conseguirem atingir seus objetivos de zero mortes no trânsito – ou até mesmo chegar perto deles – em 2025, terão dado um puxão de orelhas no resto do mundo que, até aqui, ainda não decolou neste terreno. Obviamente os transportadores da terra dos cangurus não estão pensando em dar exemplos para ninguém. Nesse sentido, querem simplesmente cumprir seu papel social, econômico, ético mas principalmente melhorar a eficiência e a produtividade do TRC e ajudar o país a crescer.

Fiz questão de abordar este case como uma forma de incentivo aos transportadores brasileiros que ainda não demonstram uma unidade nacional quando se trata de defesa da segurança rodoviária.

Nitidamente pode-se ver um grupo de empresas efetivamente preocupadas com segurança e dando boas demonstrações de apego à causa e na busca de resultados. Ainda se percebe, porém, com clareza que, para muitas transportadoras, este é um tema árido e que precisará ser discutido com boa profundidade.

Este é o cenário clássico onde as lideranças do setor podem e devem atuar. Elas próprias dotando suas entidades de programas eficazes e realistas de segurança. Bem como, incentivando a ampla participação de seus associados/afiliados para o benefício de toda a sociedade.

Assim como bons pastores devem saber conduzir seus rebanhos por boas pastagens, os líderes do TRC brasileiro em todos os níveis – nacional, estadual e municipal – devem assumir o compromisso ético de levar todos aqueles que atuam no setor a assumir posição mais sólida na segurança rodoviária. Este é o papel de destaque reservado para aqueles que entenderem a importância de suas posições. São os que entrarão para a história do país como influenciadores de um momento decisivo no desenvolvimento do transporte de cargas do Brasil.

*J. Pedro Corrêa é Consultor em Programas de Segurança no Trânsito

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