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Sem critérios, medidas para diminuir velocidade podem causar acidentes 

Sem critérios, medidas para diminuir velocidade podem causar acidentes

Redução de velocidade nas viasPerkons traz comparativo entre diferentes redutores de velocidade

Quebra-molas, lombadas eletrônicas e travessias elevadas são as intervenções de engenharia mais comuns para reduzir a velocidade e prevenir acidentes de trânsito. Mas a solução pode se tornar um problema se alguns critérios na escolha do dispositivo não forem considerados.

A má aplicação desses redutores de velocidade, de acordo com o especialista em gestão de trânsito e mobilidade urbana da Perkons, Luiz Gustavo Campos, pode levar ao aumento do número de acidentes e prejudicar a fluidez do tráfego, além dos impactos específicos que cada medida gera em termos de conforto aos passageiros, contaminação do ar e desgaste do veículo. “A população clama por soluções para a redução da velocidade nos seus bairros, mas os pedidos são comumente atendidos sem um estudo completo do tráfego e o que se verifica é a instalação indiscriminada dos distintos dispositivos, sem considerar as recomendações técnicas para aplicação de cada um deles”, avalia.

Para definir que redutor de velocidade adotar é necessária a análise de fatores como a ocupação do solo, o volume e composição do tráfego de veículos, a velocidade operacional, o fluxo de pedestres transversal e ao longo da via, as rotas de transporte público, transporte de carga e veículos de emergência, e características físicas da via, que podem indicar a necessidade de outras medidas de engenharia de trânsito.

Confira como esses dispositivos podem auxiliar na redução da velocidade no trecho e a aplicabilidade de cada um deles.

Lombadas eletrônicas

São indicadas para qualquer tipo de via. Possui sinalização de alerta piscante e indicador da velocidade do veículo. É instalada em calçadas, canteiros ou ilhas e não obstrui a via. Por isso, não prejudica o trânsito de ônibus, veículos de emergência, não causa danos aos veículos ou gera riscos a motociclistas e ciclistas. Os modelos são diferenciados e adaptáveis às características físicas da via. Não oferece riscos em situações de curvas, aclives e declives e podem, inclusive, canalizar o tráfego e favorecer a travessia de pedestres. Porém, quando instalada em calçadas, pode reduzir o espaço destinado ao pedestre. Precisa estar bem sinalizada para não ser ignorada pelo condutor.

Ondulação transversal

Popularmente conhecida por lombada física ou quebra-molas, é indicada para vias locais e coletoras.  O principal aspecto positivo é que a redução pontual é garantida. No entanto, ao passar sobre um quebra-molas, o veículo consome duas vezes mais combustível e também duplica a liberação de gases poluentes, segundo estudo da organização britânica Automobile Association. As lombadas físicas não são recomendadas onde há rotas de ônibus e só podem ser usadas quando a via não apresenta rampas com declive superior a 6% em áreas urbanas e a 4% em rodovias e se no trecho não houver curvas. O recurso requer ampla sinalização e manutenção, pois se mal projetada pode causar acidentes e danos aos veículos. Não é recomendada se o fluxo de tráfego superar 600 veículos por hora.

Travessia elevada

É a solução mais indicada para dar prioridade de travessia aos pedestres e é aplicável em proximidades de cruzamentos. Pode ser construída somente em trechos com perfil de vias coletoras ou locais e requer que a pista seja pavimentada, que haja calçadas em ambos os lados da via e que o trecho seja iluminado.  O comprimento deve ser igual à largura da pista e é recomendado que a plataforma tenha no mínimo 4 metros e que as rampas – que variam de acordo com a altura da faixa elevada – apresentem inclinação entre 12% e 18%. Com impactos menos significativos que as ondulações transversais, a frenagem e aceleração do veículo para passar o obstáculo consomem mais combustível, aumentam a poluição sonora e a emissão de gás carbônico.

Campos explica que as lombadas eletrônicas podem ser usadas para diferentes velocidades, enquanto a velocidade impressa no ponto em que há um quebra-molas varia entre 20km/h e 30km/h e onde há travessia elevada, entre 32km/h e 48km/h. Ele ainda alerta quanto à sinalização: “Os quebra-molas e as faixas elevadas são obstáculos na pista, por isso requerem sinalização ostensiva vertical e horizontal e iluminação pública que favoreçam serem vistas pelo condutor”, completa.

Questões legais

O uso de lombadas eletrônicas é previsto no artigo 280, §2° do Código de Trânsito Brasileiro e regulamentado pela resolução do Contran 396/2011. Em relação à travessia elevada existe uma minuta elaborada pelos membros da Câmara Temática de Engenharia de Tráfego, da Sinalização e da Via, no ano passado, e, até o momento, não foi publicada a resolução que regulamenta a medida, que está em análise no Contran.

Já as ondulações transversais são proibidas, conforme artigo 94 do Código, salvo nas situações especiais previstas na resolução 39/1998. Sendo assim, a legislação proíbe sua instalação. “A implantação deve ser sempre excepcional, com autorização da autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via, podendo ser colocada após estudo de outras alternativas de engenharia de tráfego, quando estas possibilidades se mostrarem ineficazes para a redução de velocidade de acidentes”, esclarece o especialista em direito de trânsito e comentarista do site CTB Digital, Julyver Modesto de Araujo.

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