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21 de julho de 2024

Transportador de carga: um profissional em extinção

Boa parte do mundo está enfrentando um grande problema: a escassez de profissionais para atuar como transportador de carga.


Por Mariana Czerwonka Publicado 12/03/2024 às 15h00
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Transportador de carga
Conforme dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT), o déficit passa de 1,5 milhão de motoristas com carteira de habilitação das categorias C, D e E. Foto: welcomia para Depositphotos

O Brasil é um país que se move através das estradas. De acordo com informações do Ministério dos Transportes, cerca de 75% de todas as mercadorias que são movimentadas pelo território brasileiro utilizam o modal rodoviário. Além disso, conforme dados do Anuário 2023 da Secretaria Nacional de Trânsito, existem, no país, 14.080.693 condutores que exercem atividade remunerada. Ou seja, que são motoristas profissionais.

Por todas essas informações, fica mais do que clara a importância de investir nesse condutor que está carregando o Brasil. E, também, movimentando a economia e levando todas as mercadorias necessárias de um canto para outro de nosso país. Apesar de toda essa importância, hoje não só o nosso país, como boa parte do mundo está enfrentando um grande problema. É a escassez de profissionais para atuar como transportadores de carga.

De acordo com o relatório da União Internacional dos Transportes Rodoviários (IRU) publicado no final do ano passado, no mundo há um déficit de 3 milhões de motoristas de caminhão. E as projeções não são animadoras, pois esse número pode dobrar até 2028.

No Brasil, a situação não é diferente.

Conforme dados divulgados pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), o déficit passa de 1,5 milhão de motoristas com carteira de habilitação das categorias C, D e E. Ou seja, mais de 40% de empresas de transporte rodoviário de cargas e de transporte rodoviário urbano de passageiros têm dificuldades para encontrar profissionais com todas as capacidades exigidas. Nesse sentido, principalmente motoristas.

Os motivos que levam a essa escassez no Brasil, segundo a CNT, são: o elevado nível dos requisitos exigidos para exercer as atividades do setor. Assim como, baixos rendimentos e altos custos. Como, por exemplo, ter mais de 21 anos e carteira de habilitação nas categorias C, D ou E e realizar cursos de formação especializada. No entanto, profissionais de todo setor de cargas entendem que essas exigências são essenciais para promover a mão de obra qualificada. Além disso, a segurança nas estradas. Por esse motivo, várias entidades estão trabalhando em processos de investimento nestes profissionais.

Vander Costa, presidente do Sistema Transporte, afirmou em evento para assinatura de um acordo de cooperação técnica entre os setores público e privado, que a sustentabilidade da cadeia de transporte está relacionada à disponibilidade de mão de obra qualificada.

“Uma vez capacitada, essa força de trabalho pode se integrar aos diversos níveis da operação e oferecer serviços em alto nível. Esse investimento agrega valor à atividade transportadora, que passa a ser mais segura, mais eficiente e garante melhores condições do serviço prestado à sociedade”, afirma.

Mais treinamento, mais segurança

Ainda no sentido de diminuir esse déficit do transportador de carga, no final de janeiro, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, assinou um protocolo de intenções para lançar um programa de qualificação do público do Cadastro Único com a aquisição de carteiras profissionais para dirigir ônibus ou caminhões. O objetivo é atender diretamente às demandas de emprego das empresas de transporte, preenchendo as vagas disponíveis e impulsionando a economia.

A aposta na formação de motoristas não prevê apenas reduzir a escassez de profissionais. Mas, também, se conectar a um movimento mundial de diminuição de mortes no trânsito. Ainda conforme a CNT, não basta apenas colocar esse profissional no mercado, é preciso prepará-lo para enfrentar o dia a dia da profissão. “Queremos não apenas garantir emprego, mas qualificação ao profissional”, finalizou Costa.

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