24 de abril de 2026

Tecnologia avança nas rodovias, mas erro humano ainda explica a maioria das mortes

Dados da Arteris mostram queda nas mortes e nos acidentes nas rodovias administradas pela concessionária, mas comportamento dos usuários ainda é o principal desafio para reduzir fatalidades no trânsito.


Por Redação Publicado 24/04/2026 às 08h15
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rodovias Arteris
Apesar da redução nas fatalidades, 78% das mortes registradas nas rodovias em 2025 envolveram vítimas consideradas mais vulneráveis no trânsito. Foto: Divulgação Arteris

Mesmo com a redução no número de mortes e acidentes, o trânsito nas rodovias ainda apresenta um grande desafio: o comportamento dos usuários. É o que mostram dados divulgados pela concessionária Arteris, que administra cerca de 3.200 quilômetros de rodovias nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina.

De acordo com o levantamento, o número de mortes nas rodovias administradas pela empresa caiu 11,8% no último ano, passando de 585 para 516 óbitos. O total de acidentes também apresentou queda de 6,4%, passando de 33.402 registros para 31.273 ocorrências.

Apesar da redução, um dado chama a atenção: a maioria das vítimas fatais ainda é formada por usuários mais vulneráveis ou por pessoas que não utilizavam itens básicos de segurança.

Vítimas vulneráveis ainda são maioria

Conforme os dados da Arteris, 78% das mortes registradas nas rodovias administradas pela concessionária envolveram vítimas consideradas mais vulneráveis no trânsito. Do total, 31% eram pedestres e ciclistas, 31% motociclistas e 16% pessoas que estavam sem cinto de segurança.

Na prática, isso significa que grande parte das mortes poderia ser evitada com atitudes simples, como respeitar os limites de velocidade, manter distância segura, usar o cinto e dirigir com atenção.

Engenharia e tecnologia ajudam, mas não resolvem tudo

A redução no número de acidentes nas rodovias administradas pela concessionária está relacionada a uma combinação de fatores, como melhorias de engenharia, monitoramento por câmeras, uso de inteligência artificial para identificar comportamentos de risco, reforço operacional em períodos de maior movimento e campanhas educativas.

Segundo Marcelo Sato Mizusaki, superintendente de Núcleo de Operações da Arteris, a estrutura e o monitoramento ajudam a reduzir riscos, mas não substituem a responsabilidade dos usuários.

“Nossas equipes estão preparadas, mas a segurança é uma via de mão dupla e o motorista também precisa assumir seu papel, respeitando os limites de velocidade, usando o cinto de segurança e mantendo o foco total na condução. Um segundo de distração ou uma manobra arriscada pode impactar todo o esforço preventivo que realizamos 24 horas por dia”, afirmou.

Para o especialista em trânsito e diretor do Portal do Trânsito, Celso Mariano, os dados mostram justamente isso: a tecnologia ajuda, mas o comportamento ainda é decisivo.

“A engenharia e a tecnologia evoluíram muito nos últimos anos e ajudam a reduzir acidentes, mas o comportamento humano ainda é o elo mais frágil da segurança viária. Enquanto as pessoas continuarem assumindo riscos, os números não vão zerar. Respeitar a velocidade, usar o cinto e manter a atenção ainda são as atitudes que mais salvam vidas.”

Feriados prolongados acendem alerta para 2026

Outro ponto de atenção é o calendário de 2026, que terá vários feriados prolongados ao longo do ano. Ou seja, isso deve aumentar o fluxo de veículos nas rodovias em diversos períodos.

Historicamente, feriados prolongados concentram aumento no número de acidentes, principalmente por fatores como excesso de velocidade, ultrapassagens indevidas, dirigir com sono ou cansaço e uso do celular ao volante.

Por isso, especialistas reforçam que viajar com segurança depende muito mais do comportamento do motorista do que das condições da rodovia.

O que os dados mostram sobre os acidentes

A análise dos tipos de acidentes também ajuda a entender o comportamento dos condutores. Entre as ocorrências mais comuns nas rodovias administradas pela Arteris estão:

  • Choque contra objeto fixo: geralmente relacionado à perda de controle do veículo, excesso de velocidade ou sono ao volante.
  • Colisão traseira: normalmente causada por distração, uso do celular ou falta de distância segura.
  • Colisão lateral ou transversal: associada a ultrapassagens indevidas, conversões proibidas ou falhas de observação.

Ou seja, em grande parte das situações, o acidente não acontece por falha da via, mas por falha humana.

Segurança no trânsito ainda depende das escolhas

A redução no número de mortes mostra que investimentos em engenharia, fiscalização e tecnologia são importantes e trazem resultados. Mas os números também deixam claro que ainda há um longo caminho pela frente — e esse caminho passa, principalmente, pela mudança de comportamento.

Respeitar limites de velocidade, usar o cinto de segurança, não usar o celular ao volante, manter distância segura e ter paciência são atitudes simples, mas que continuam sendo as que mais salvam vidas.

No trânsito, a tecnologia ajuda, a engenharia protege, a fiscalização orienta — mas, no fim, a decisão que evita ou provoca um acidente ainda está nas mãos de cada pessoa.

Redação

Matérias escritas pela equipe de Redação do Portal do Trânsito.

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