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Artigo – Oportunidades perdidas 

Artigo – Oportunidades perdidas
Foto: Pixabay.com

J. Pedro Corrêa aborda as oportunidades perdidas por prefeitos e autoridades locais que ainda não iniciaram seus programas municipais de segurança no trânsito.

*J. Pedro Corrêa

Como era de se esperar, a semana passada registrou uma grande quantidade de eventos dedicados à Semana Nacional do Trânsito. Debates, seminários, eventos de todos os tipos foram realizados do Sul ao Norte, envolvendo profissionais do setor, especialistas de áreas afins, professores, instrutores e mesmo público em geral que se interessa pelo tema. É bom que aconteça isto mas seria muito melhor que não tivéssemos uma Semana do Trânsito mas 52 semanas pois, afinal de contas, o trânsito acontece todos os dias na vida dos brasileiros.

Na quinta-feira, 23 de setembro, para tornar a Semana ainda mais importante, a Senatran, a Secretaria Nacional do Trânsito, recém-criada no Ministério da Infraestrutura, publicou o texto integral do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito, o tão aguardado PNATRANS.

São 90 páginas de muita informação, orientação e coordenadas que todos os órgãos do Sistema Nacional do Trânsito devem seguir, vale dizer por Detrans e instituições municipais ligadas ao trânsito. Como minha semana esteve bem cheia participando de eventos que se realizaram por todo o país, não tive oportunidade de completar a leitura da íntegra do documento mas prometo fazê-lo nos próximos dias e, aí sim, formular eventualmente alguns comentários.

Estamos avançando para o final do ano de 2021, o primeiro da 2ª Década Mundial de Trânsito. E tenho me perguntado como estão indo as cidades brasileiras no desenvolvimento dos seus programas municipais de segurança no trânsito. Pelo que pude perceber pelas informações que me chegam, a Década decolou apenas num reduzido número de municípios, notadamente aqueles que já contavam – ou contam ainda – com algum suporte por parte de instituições nacionais ou internacionais que, aliás, têm dado ótimas contribuições.

Continuo percebendo que muitas cidades, especialmente de porte médio, têm dificuldades em iniciar seus programas de trânsito diante da ausência de um modelo de ação que, mais tarde, possa ser continuado.

Gostaria de incentivar estas prefeituras a começar suas atividades bastando para isto seguir passos de outras cidades que já estão mais à frente. Claro, se o prefeito ou o secretário responsável pelo trânsito municipal tiver chances de usar uma assessoria ou consultoria profissional, tanto melhor. É possível, porém, começar com o que já tem à sua disposição dentro da estrutura municipal. Pode parecer difícil mas posso garantir que não.

Para estes prefeitos temerosos, lembro o que Einstein já dizia: “a coisa mais bonita que podemos experimentar é o misterioso.”

Programas de segurança no trânsito, contudo, não são mais mistérios dentro da moderna administração municipal. Todas as cidades que hoje ostentam resultados de seus trabalhos no trânsito, já possuem e divulgam seus planos, que não são totalmente idênticos. Assim, oferecem uma bela oportunidade aos iniciantes para que possam criar seus próprios modelos a partir das características da sua cidade.

Gosto de uma conclusão ouvida de um prefeito no interior de Santa Catarina que me disse: “É! Talvez precisemos mesmo experimentar algo novo, pois o normal já não é o bastante”. Foi quando eu aproveitei para dar-lhe algumas sugestões, elementares mas oportunas.

Perguntei a ele como estavam indo seus programas de iluminação das ruas, pavimentação asfáltica nos bairros, construção de calçadas em parcerias com proprietários e a resposta foi direta: “de vento em popa”.

Foi quando eu disse: “prefeito, tudo isto é segurança no trânsito! só falta dizer, colocar a bandeirinha do programa”, apenas para dar exemplo de como prefeituras deixam de aproveitar oportunidades de “vender segurança” à sua sociedade. Todos estes investimento em obras públicas já constam do orçamento municipal. Os prefeitos, porém, não viram neles uma forma de mobilizar a população pela maior segurança.

Imagine as inúmeras atividades que a prefeitura pode desenvolver na melhoria da segurança no entorno das escolas. Assim como no monitoramento dos centros urbanos, controle de velocidade, blitzes (educativas ou não). Além de informações públicas sobre a sinistralidade na cidade, enfim, uma infinidade de coisas a fazer.

Mais importante de tudo: o custo adicional destas inciativas é baixíssimo pois a maioria deles já foi absorvida no orçamento anual. Uma viagem do secretário de trânsito à uma cidade que já esteja mais adiantada, permitirá acesso a um plano que pode ser adaptado sem maiores dificuldades.

O que pode estar faltando para uma bom número de lideranças locais é um olhar mais atento à esta questão da segurança. Bem como, tomar a iniciativa de aproveitá-la.

Depois de começar, as autoridades passarão a perceber que, além de não ter a dificuldade imaginada, o programa de segurança no trânsito é altamente estimulante. Além disso, pode atrair parcerias do setor privado e mesmo financiamentos internacionais que vão ajudar a colocar seus municípios em lugar de honra no contexto nacional.

Enfim, como me disse uma vez um professor holandês: “na vida tudo é difícil… até ficar fácil”!

*J. Pedro Corrêa é Consultor em Programas de Segurança no Trânsito

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