Notícias

Notícias

Falta de vontade de dirigir mostra pico em vendas de carros 

Falta de vontade de dirigir mostra pico em vendas de carros

Carros no trânsito

Nas crescentes megacidades do mundo, a poluição e os engarrafamentos estão freando os motoristas

O mundo que Henry Ford colocou sobre rodas está preparado para se afogar.

Nas crescentes megacidades do mundo, a poluição e os engarrafamentos estão freando os motoristas. Na Índia, algumas pessoas que viajam das suas casas para o trabalho estão deixando seus carros em casa para evitar problemas de trânsito e perder muito tempo procurando estacionamento. Cada vez mais americanos jovens estão abandonando o sonho de ter um carro pelo transporte público, bicicletas e veículos compartidos. Os carros na estrada estão durando mais do que nunca.

Esses fatos poderiam anunciar uma nova era para uma indústria automotiva desapegada de um século de crescimento global. O mundo alcançará o “Carro Pico” – o ponto a partir do qual o crescimento anual das vendas globais alcançará seu limite – na próxima década, predizem vários analistas da indústria automotiva. A empresa de pesquisa IHS Automotive, por exemplo, prevê um auge nas vendas anuais de 100 milhões de unidades dentro desse período.

O Carro Pico está em conflito com os ambiciosos planos de expansão das montadoras globais, que segundo a IHS estão se preparando para produzir mais de 120 milhões de veículos até 2016: quase 50 por cento a mais do que a marca mundial de vendas do ano passado, de 82 milhões. A dinâmica também ameaça os planos comerciais das fabricantes de autopeças, dos fornecedores de matérias primas e das empresas de petróleo.

Cálculo de megatendências

Ninguém está prevendo que as vendas de carros caiam de repente ou que as montadoras atuais agora sejam dinossauros. O que os especialistas veem sim é uma reviravolta contra as montadoras, que terão que se adaptar a um mundo onde menos carros são comprados e mais são compartilhados, onde haverá mais carros dirigidos sozinhos e menos fãs de carros nas estradas.

“A questão chave é: você vende carros ou vende mobilidade?”, disse Tim Ryan, vice-presidente de mercados e estratégia sediado em Nova York que trabalha para a consultoria PricewaterhouseCoopers LLP. “Se você ignorar essas megatendências, você corre o risco de se tornar irrelevante”.

Há um contra-argumento às predições de que as vendas poderiam chegar ao seu pico: os consumidores chineses ainda têm um apetite voraz por carros, à medida que uma maior parte dos 1,3 bilhões de habitantes do país ascende economicamente e muitos demandam a liberdade e o status que um carro transmite. A China ajudou a impulsionar as vendas globais de carros em 46 por cento desde 2000, e em 2009 o país ultrapassou os EUA como maior mercado automotivo do mundo. Os consumidores chineses compraram 22 milhões de veículos no ano passado, uma marca que segundo estimam as montadoras e os analistas alcançará 30 milhões até 2020.

Névoa marrom

Ao mesmo tempo, a China está lutando com os engarrafamentos urbanos e com a crescente poluição que criou uma névoa marrom sobre grandes cidades como Xangai e Pequim. O problema da poluição levou os líderes do país a determinarem restrições sobre o licenciamento de carros para desacelerar as vendas.

As novidades também estão sendo alimentadas por uma mudança de atitude quanto ao consumo de petróleo por motivos ambientais, políticos e econômicos. Estão surgindo alternativas à posse de um carro, como a empresa de viagens compartilhadas Zipcar Inc. e o serviço de reserva de viagens Uber Technologies Inc., que apelam a uma nova geração de motoristas sem interesse pelos produtos de alto custo das montadoras.

A solução para evitar os engarrafamentos globais poderia vir de uma tecnologia ainda não prevista, disse Eric Morris, professor auxiliar de Planejamento Urbano e Regional da Clemson University na Carolina do Sul, cuja pesquisa se debruça sobre inovações futuras e lições do passado.

“É realmente muito difícil chegar até alguém dizer e ‘você pode imaginar que um dia não precisaremos de carros?’” disse Phil Gott, diretor sênior de planejamento no longo prazo na IHS em Lexington, Massachusetts. “Porque a resposta óbvia é ‘o que? Você está maluco? Eu sempre precisarei de um carro’. Mas na verdade, as pessoas estão mudando para as cidades e se virando com menos carros, e em alguns casos sem carros”.

Fonte: Revista Exame

Artigos Recomendados Para Você

Deixe uma resposta

Campos obrigatórios *