Quem forma o futuro condutor? Por que a aula teórica com instrutor segue sendo decisiva na CNH
Aula teórica com instrutor segue sendo decisiva na formação do condutor. Especialistas fazem alerta.

A flexibilização do processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), promovida pelo programa CNH do Brasil, trouxe uma mudança estrutural que vai além da redução de exigências formais. Ao tornar facultativo o curso em autoescolas, eliminar a carga horária mínima teórica e oferecer um curso gratuito e padronizado, o novo modelo recoloca no centro do debate uma pergunta essencial: quem, afinal, forma o futuro condutor?
Embora o discurso oficial enfatize o acesso e a desburocratização, especialistas em educação para o trânsito alertam que acesso ao conteúdo não equivale a formação. A ausência de mediação pedagógica, de acompanhamento individual e de método estruturado tende a gerar um efeito colateral já conhecido no setor: aumento da reprovação na prova teórica do Detran e formação superficial.
De acordo com Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, a pressa em “resolver” a etapa teórica pode comprometer o aprendizado.
“Formação não se mede em dias nem em quantidade de vídeos assistidos. Ensinar trânsito exige interpretação, contextualização e diálogo. Sem isso, o candidato até acredita que está preparado, mas a prova, e depois o trânsito real, mostram o contrário”, avalia.
Velocidade não garante aprendizado
Com as mudanças recentes, ganhou força a ideia de que cursos teóricos acelerados seriam suficientes para cumprir a exigência legal. No entanto, profissionais da área apontam que ritmos de aprendizagem são diferentes e que comprimir conteúdos complexos em poucos dias costuma gerar apenas a sensação de preparo.
Temas como legislação, sinalização, direção defensiva e comportamento seguro exigem mais do que memorização. Exigem compreensão — algo que dificilmente ocorre sem a presença ativa de um instrutor capaz de traduzir normas abstratas em situações reais do dia a dia.
É nesse ponto que a autoescola segue desempenhando um papel central. Quando o processo de ensino sai completamente das mãos do CFC, perde-se não apenas o controle pedagógico, mas também o vínculo com o aluno, elemento fundamental para orientar, corrigir e reforçar o aprendizado.
Alternativa viável: CFC como protagonista
A aula teórica remota, autorizada inicialmente em 2020, consolidou-se como uma alternativa viável e eficiente para contribuir com o processo de formação de condutores. Nela, o instrutor de trânsito e o próprio CFC assumem o protagonismo do ensino e preenchem uma lacuna imensa que o CNH do Brasil criou.
Quando a tecnologia é empregada apenas como repasse automático de conteúdo, o ensino tende a se tornar impessoal e raso. Por outro lado, quando o CFC mantém o controle do método, do instrutor e da experiência do aluno, o ensino remoto passa a ser uma ferramenta poderosa, capaz de ampliar o acesso sem abrir mão da qualidade.
Além disso, o modelo remoto bem estruturado permite reduzir custos com infraestrutura física, oferecer maior flexibilidade ao aluno — que pode assistir às aulas de onde estiver — e criar oportunidades de reforço, revisão e acompanhamento contínuo.
Instrutor e método seguem no centro da formação
Outro ponto sensível do debate é o papel do instrutor. Plataformas tecnológicas não substituem quem ensina. Ao contrário, só fazem sentido quando fortalecem o trabalho pedagógico, oferecendo materiais de apoio, recursos interativos, acompanhamento de desempenho e organização do conteúdo.
Nesse contexto, o ensino teórico deixa de ser apenas uma etapa burocrática e passa a ser tratado como um ativo estratégico da autoescola — tanto do ponto de vista educacional quanto institucional.
Soluções desenvolvidas especificamente para a formação de condutores, como as plataformas de aula remota da Tecnodata Educacional, seguem essa lógica ao oferecer ferramentas que mantêm o instrutor no centro do processo e preservam a identidade pedagógica do CFC, sem transferir a responsabilidade da formação para terceiros.
Formação exige mais do que conveniência
Em um cenário de mudanças regulatórias profundas, cresce entre especialistas a percepção de que terceirizar integralmente o ensino teórico pode parecer conveniente no curto prazo, mas traz custos invisíveis: perda de controle, enfraquecimento da relação com o aluno e menor capacidade de crescimento sustentável.
Ao assumir o protagonismo da formação — inclusive no ambiente digital — a autoescola reafirma seu papel social. Afinal, formar condutores não é apenas preparar alguém para passar em uma prova, mas contribuir diretamente para a segurança no trânsito.
