04 de julho de 2026

Estepe fino pode acabar nos carros novos? PL quer proibir modelo temporário no Brasil

Motoristas que compram carros novos no Brasil podem voltar a receber apenas estepe convencional de fábrica, caso avance um projeto em análise na Câmara dos Deputados.


Por Mariana Czerwonka Publicado 04/07/2026 às 08h15
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estepe fino
A proposta determina que os automóveis saiam de fábrica com roda e pneu de especificações equivalentes às originais do veículo. Foto: belchonock para Depositphotos

O PL 1396/2026, apresentado pelo deputado Pastor Gil (PL/MA), propõe proibir a comercialização de veículos novos equipados com estepe temporário, estepe fino ou de uso limitado. A proposta determina que os automóveis saiam de fábrica com roda e pneu de especificações equivalentes às originais do veículo.

Na prática, o projeto mira modelos conhecidos popularmente como “estepe fino” ou “donut”, cada vez mais comuns em veículos novos.

O que o projeto exige

Pelo texto, todos os veículos automotores novos vendidos no país deverão ter:

  • estepe com mesmas dimensões dos pneus originais;
  • mesma capacidade de carga;
  • índice de velocidade equivalente;
  • compatibilidade técnica integral com o conjunto original.

A regra se aplicaria a:

  • carros de passeio;
  • SUVs;
  • picapes;
  • utilitários;
  • veículos comerciais leves;
  • demais automotores destinados às vias públicas.

Por que o estepe fino entrou na mira

Na justificativa, o autor afirma que o estepe temporário representa risco à segurança por ter largura menor, menor área de contato com o solo e limitação de velocidade.

Conforme o parlamentar, esse tipo de equipamento pode alterar o comportamento dinâmico do veículo, afetando:

  • estabilidade;
  • frenagem;
  • tração;
  • distribuição de carga.

No texto, ele sustenta que o modelo temporário “não mantém as características originais de estabilidade, frenagem, tração e distribuição de carga do veículo”.

Debate técnico envolve uso emergencial

Apesar das críticas presentes no projeto, o tema costuma gerar debate técnico no setor automotivo.

Os estepes temporários foram desenvolvidos para uso emergencial e por curta distância, permitindo que o motorista chegue com segurança até um ponto de reparo, desde que respeite velocidade máxima e orientações do fabricante.

Montadoras adotam esse modelo por razões como:

  • redução de peso;
  • ganho de espaço no porta-malas;
  • eficiência energética;
  • adequação de projeto.

Especialistas lembram que, quando utilizado corretamente e dentro das limitações previstas, o equipamento tem função específica de emergência — e não substitui o pneu original para uso contínuo.

Realidade brasileira pesa no debate

O autor argumenta que a realidade viária brasileira exige cautela adicional.

Na justificativa, o deputado cita longas distâncias entre cidades, rodovias extensas, regiões rurais e áreas sem assistência rápida, fatores que poderiam tornar o estepe temporário menos adequado em determinadas situações.

Esse ponto tende a ganhar força no debate legislativo, especialmente para motoristas que trafegam longos trechos em estrada.

Penalidades previstas

Se aprovado, o projeto prevê sanções para fabricantes, importadores ou comerciantes que descumprirem a regra, como:

  • multa administrativa;
  • suspensão da comercialização do modelo irregular;
  • obrigação de substituição gratuita do estepe;
  • responsabilização com base no Código de Defesa do Consumidor.

O texto também considera a ausência de estepe integral como possível vício do produto.

Próximos passos

O PL 1396/2026 ainda será analisado pelas comissões da Câmara antes de eventual votação.

Mariana Czerwonka
Mariana Czerwonka

Meu nome é Mariana, sou formada em jornalismo pela Universidade Tuiuti do Paraná e especialista em Comunicação Empresarial, pela PUC/PR. Desde que comecei a trabalhar, me envolvi com o trânsito, mais especificamente com Educação de Trânsito. Não tem prazer maior no mundo do que trabalhar por um propósito. Posso dizer com orgulho que tenho um grande objetivo: ajudar a salvar vidas! Esse é o meu trabalho. Hoje me sinto um pouco especialista em trânsito, pois já são 11 anos acompanhando diariamente as notícias, as leis, resoluções, e as polêmicas sobre o tema. Sou responsável pelo Portal do Trânsito, um ambiente verdadeiramente integrador de informações, atividades, produtos e serviços na área de trânsito.

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