Golpe do free flow explode no Brasil e já foram identificados mais de 400 sites falsos de pedágio
Fraudes simulam cobrança de pedágio eletrônico, usam dados reais dos veículos e levam vítimas a pagamentos indevidos via PIX.

O avanço do sistema de pedágio eletrônico sem cancela, conhecido como free flow, também abriu espaço para um novo tipo de golpe ou fraude digital que vem preocupando especialistas em segurança e usuários das rodovias brasileiras.
Segundo levantamento da Kaspersky, mais de 400 sites falsos relacionados ao pagamento de pedágios eletrônicos foram identificados desde o início de 2026. O número representa uma escalada significativa do chamado “Golpe do Free Flow”, que utiliza páginas fraudulentas para enganar motoristas e desviar pagamentos via PIX.
Em fevereiro, a própria empresa já havia alertado sobre campanhas semelhantes envolvendo cerca de 50 domínios falsos. Agora, o esquema ganhou escala muito maior.
Como funciona o golpe do pedágio eletrônico
De acordo com os pesquisadores, a fraude normalmente começa quando o motorista procura na internet formas de consultar ou quitar débitos de pedágio eletrônico.
Os criminosos utilizam anúncios patrocinados em buscadores e redes sociais para atrair vítimas. Ao clicar nos links, o usuário é direcionado para páginas que imitam sistemas oficiais de pagamento.
Nesses sites, basta inserir a placa do veículo para que apareça um suposto débito pendente.
Para aumentar a credibilidade da fraude, os golpistas exibem informações reais do automóvel e cobram valores baixos, semelhantes aos praticados em pedágios legítimos.
A vítima, acreditando estar regularizando a situação, realiza o pagamento — geralmente por PIX.
No entanto, o dinheiro é transferido para contas de terceiros, conhecidas como “laranjas”, dificultando rastreamento e recuperação dos valores.
Crescimento rápido preocupa especialistas
De acordo com Fabio Assolini, pesquisador-chefe da Equipe Global de Pesquisa e Análise da Kaspersky para a América Latina, o crescimento acelerado da fraude indica uma operação estruturada e altamente escalável.
“O que observamos no caso do Golpe do Free Flow é uma evolução rápida e estruturada da fraude digital. Em poucos meses, os criminosos passaram de dezenas para centenas de domínios falsos, o que indica uma operação altamente escalável e provavelmente automatizada.”
Ainda conforme o especialista, os criminosos aproveitam justamente o desconhecimento da população sobre novos sistemas digitais.
“Eles combinam engenharia social, uso de dados reais de veículos e anúncios patrocinados para aumentar a taxa de conversão dos golpes. Esse tipo de campanha tende a acompanhar a adoção de novos serviços digitais, explorando justamente momentos de transição e desconhecimento do público”, afirmou.
Free flow ainda gera dúvidas entre motoristas
O sistema free flow vem sendo implantado gradualmente em rodovias brasileiras e substitui as tradicionais praças de pedágio por pórticos eletrônicos que identificam automaticamente os veículos em movimento.
No entanto, especialistas já alertavam para problemas relacionados à falta de padronização nacional, dificuldade de comunicação com usuários e proliferação de golpes digitais ligados ao pagamento das tarifas.
Além da confusão sobre prazos e formas de pagamento, muitos motoristas ainda desconhecem quais são os canais oficiais de cobrança utilizados pelas concessionárias.
Esse cenário acaba sendo explorado por criminosos.
Como se proteger do golpe do free flow
A Kaspersky recomenda alguns cuidados para evitar cair nesse tipo de fraude:
- desconfiar de anúncios patrocinados relacionados a pagamento de pedágio;
- acessar diretamente os sites oficiais das concessionárias;
- verificar se o endereço eletrônico pertence realmente à empresa responsável pela rodovia;
- conferir os dados do recebedor antes de realizar pagamentos via PIX;
- evitar pagamentos destinados a pessoas físicas;
- utilizar soluções de segurança digital e antivírus nos dispositivos.
Especialistas também orientam que motoristas consultem exclusivamente os canais oficiais das concessionárias ou aplicativos reconhecidos para verificar cobranças relacionadas ao pedágio eletrônico.
