30 de setembro de 2026

Bancos ampliam oferta de tags de pedágio; entenda o que muda para o motorista

Expansão do free flow e busca por fidelização de clientes impulsionam parcerias entre instituições financeiras e empresas especializadas em pagamento automático de pedágios.


Por Redação Publicado 30/09/2026 às 14h30
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tag de pedágio
A contratação de uma tag não é obrigatória para circular em rodovias com pedágio eletrônico. Foto: happymay para Depositphotos

As tags de pagamento automático de pedágio estão deixando de ser um serviço oferecido exclusivamente por empresas especializadas em mobilidade. Bancos e instituições financeiras passaram a incorporar essa tecnologia aos seus pacotes de benefícios, permitindo que os clientes utilizem dispositivos vinculados às marcas com as quais já mantêm relacionamento.

O movimento acompanha a expansão do sistema de pedágio eletrônico sem cancelas, conhecido como free flow, e a busca das empresas por serviços que facilitem a rotina dos consumidores.

Conforme Newton Ferrer, diretor de negócios e produtos da ConectCar, a entrada de novos participantes nesse mercado está relacionada à possibilidade de reunir diferentes serviços em uma mesma plataforma. Para os bancos, oferecer uma tag representa uma oportunidade de ampliar o relacionamento com o cliente, enquanto, para o motorista, significa ter acesso a mais uma solução de mobilidade.

Por que os bancos estão oferecendo tags de pedágio?

A estratégia das instituições financeiras vai além da cobrança de pedágios. Ao incluir uma tag entre os benefícios oferecidos, os bancos ampliam o conjunto de serviços disponíveis aos clientes e buscam fortalecer a fidelização.

De acordo com Ferrer, quando diferentes soluções estão reunidas em uma mesma plataforma, a experiência tende a ser mais conveniente para o consumidor.

“Se o cliente utiliza o banco para suas questões financeiras e, ao mesmo tempo, tem acesso a uma tag, esse benefício passa a fazer parte do valor que ele associa àquela instituição”, explica.

Nesse cenário, a tag passa a integrar o conjunto de vantagens associado à instituição financeira. O cliente que utiliza determinado banco para movimentar suas contas, por exemplo, também pode contar com o dispositivo para realizar pagamentos automáticos de pedágio.

Para as empresas, essa integração contribui para aumentar a percepção de valor dos serviços oferecidos e pode influenciar a decisão do consumidor de permanecer ou não com determinada instituição. “Isso pode pesar na decisão de permanecer com a empresa ou considerar uma mudança, porque trocar de banco também pode significar abrir mão de uma série de vantagens já relacionadas à rotina”, acrescenta Ferrer.

Como funciona o modelo white label das tags?

Uma das estratégias utilizadas pelos bancos para entrar no mercado de pagamento automático é o chamado white label. Nesse modelo, uma empresa oferece sua tecnologia e infraestrutura para que outra comercialize o serviço com marca e identidade visual próprias.

Na prática, o consumidor pode contratar uma tag diretamente com seu banco, embora a operação tecnológica seja realizada por uma companhia especializada.

Ferrer explica que estruturar uma operação de tags exige investimentos em tecnologia, infraestrutura e atendimento a requisitos regulatórios e operacionais. Por isso, utilizar uma estrutura já existente permite que outras empresas ofereçam o serviço sem precisar desenvolver internamente toda a operação. “Criar uma operação de tags do zero é um processo complexo, que envolve não apenas tecnologia, mas também uma série de requisitos regulatórios, operacionais e de infraestrutura para o serviço funcionar”, afirma.

É o caso das tags oferecidas pelo Itaú e pelo Porto Bank, que utilizam a tecnologia da ConectCar.

“É uma forma de entrar nesse mercado com uma operação já estruturada, sem precisar construir internamente toda a cadeia necessária para oferecer o serviço”, destaca o diretor.

O modelo permite que instituições financeiras incorporem soluções de mobilidade aos seus portfólios, enquanto empresas especializadas ampliam sua presença no mercado por meio de parcerias.

Free flow aumenta a importância das tags para os motoristas

Outro fator que contribui para a expansão desse mercado é o avanço do free flow nas rodovias brasileiras.

Diferentemente do pedágio convencional, o sistema permite a cobrança sem a necessidade de parar em uma praça com cancelas. A identificação do veículo ocorre por meio de pórticos equipados com tecnologias de leitura de placas e dispositivos eletrônicos.

Para os motoristas que utilizam uma tag compatível com o sistema, a passagem é identificada e a cobrança ocorre automaticamente, conforme as condições do serviço contratado.

Já quem não possui o dispositivo precisa acompanhar as passagens e realizar o pagamento pelos canais disponibilizados pelas concessionárias responsáveis.

Segundo Ferrer, essa necessidade de identificar os trechos percorridos e os respectivos canais de cobrança pode tornar o processo mais trabalhoso para os usuários que ainda estão se adaptando ao modelo. “Sem a tag, o motorista precisa identificar os trechos em que passou, descobrir qual concessionária é responsável por cada cobrança e acessar os diferentes canais disponibilizados para realizar o pagamento”, explica.

Embora as informações sobre passagens estejam disponíveis no aplicativo CNH do Brasil, conforme aponta o executivo, o pagamento ainda pode exigir o acesso a diferentes plataformas.

Com a tag, o motorista não precisa acompanhar individualmente cada passagem para efetuar o pagamento, desde que o dispositivo esteja ativo e funcionando corretamente.

“Com a tag, esse processo acontece de forma automatizada, a cobrança é processada sem que o motorista precise acompanhar cada trecho individualmente”, afirma Ferrer.

Para o diretor da ConectCar, essa facilidade ajuda a explicar por que mais empresas estão interessadas em incorporar a tecnologia aos seus serviços. “As empresas entenderam esse cenário, identificaram a oportunidade de oferecer um serviço que simplifica as etapas de pagamento do free flow, e por isso cada vez mais querem incorporar a tag aos seus benefícios”, conclui.

O que o motorista deve observar antes de contratar uma tag?

Com a ampliação da oferta, os consumidores passam a encontrar diferentes opções de tags, inclusive entre os benefícios oferecidos por bancos e outras instituições.

Apesar de a tecnologia utilizada poder ser semelhante, as condições comerciais variam conforme o produto contratado.

Antes de escolher uma tag, é importante verificar:

  • Mensalidade e tarifas: se existe cobrança recorrente, taxa de adesão ou outras condições para utilização.
  • Benefícios vinculados: se a gratuidade ou os descontos dependem de relacionamento com o banco, tipo de conta ou cartão.
  • Cobertura: em quais rodovias, estacionamentos e outros estabelecimentos o dispositivo pode ser utilizado.
  • Forma de pagamento: como as cobranças são realizadas e se há necessidade de manter saldo disponível.
  • Atendimento: quais canais estão disponíveis para consultar passagens, contestar cobranças ou resolver problemas com o dispositivo.

No caso do free flow, também é importante manter os dados cadastrais e os meios de pagamento atualizados. Além disso, verificar se a tag está corretamente instalada e ativa.

A contratação de uma tag não é obrigatória para circular em rodovias com pedágio eletrônico. Motoristas que não utilizam o dispositivo podem realizar o pagamento pelos canais oficiais, observando os prazos aplicáveis.

Com a expansão do free flow e a entrada de novas empresas no setor, as tags passam a integrar um conjunto mais amplo de serviços e benefícios oferecidos aos consumidores.

Para o motorista, o principal ponto é avaliar se as condições da tag oferecida pelo banco ou por uma operadora especializada atendem às suas necessidades de deslocamento.

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Matérias escritas pela equipe de Redação do Portal do Trânsito.

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