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Mobilidade Ativa: um futuro de mudanças na qualidade de vida da sociedade e das cidades

Você já ouviu falar em mobilidade ativa? Pois é, o tema é novo e se refere ao ato de se mover usando a energia do próprio corpo.


Por Pauline Machado Publicado 15/02/2024 às 15h00
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mobilidade ativa
Todas atividades de locomoção que acontecem por meio de energia humana fazem parte da mobilidade ativa. Foto: halfpoint para Depositphotos

Você já ouviu falar em mobilidade ativa? Pois é, o tema é novo e se refere ao ato de se mover usando a energia do próprio corpo.

Mércia Gomes, especialista em trânsito e mobilidade urbana, explica que essa ação está na sociedade desde os princípios da humanidade, exercendo seu papel antes mesmo dos carros serem o centro das atenções.

“Desde o ciclismo até mesmo a caminhada diária, todas atividades de locomoção que acontecem por meio de energia humana fazem parte da mobilidade ativa”.

Apesar de atuar de forma intrínseca no dia a dia do ser humano, a mobilidade ativa não é tão discutida e valorizada. “Isso porque, muitas pessoas optam por usar suas bicicletas, seus patins ou skates como meio de transporte para o trabalho ou a escola. Porém, a construção das cidades está diretamente voltada ao transporte motorizado feito por carros”, justifica e acrescenta.

“Ainda que exista uma grande discussão sobre como tornar os automóveis mais sustentáveis, a verdade é que a opção mais eco-friendly sempre esteve nos pés das pessoas, haja vista que a mobilidade ativa está ligada à emissão zero de carbono no planeta, e também a diversos benefícios para a saúde física e psicológica do ser humano”, ressalta a especialista.

Desafios

A arquitetura das cidades é cercada e atravessada por ruas espaçosas, feitas para o conforto dos automóveis e a segurança de quem está dentro do carro. No entanto, e aquele que está do lado de fora do automóvel?

Mércia Gomes destaca que milhares de indivíduos andam pelas calçadas todos os dias, a caminho da escola, do trabalho, do mercado e da farmácia e que essas pessoas correm os mais diversos riscos. “No Brasil, grande parte da reclamação de pedestres está ligada ao local que eles estão designados: a calçada. Em algumas regiões as calçadas são pequenas, apresentam falhas, não são acessíveis e também podem ter buracos. Isso dificulta cada vez mais o interesse do indivíduo de praticar a sua mobilidade ativa”.

O mesmo cabe para meios de transportes não motorizados, como bicicletas, skates, patins e cadeiras de rodas, prossegue.

“A falta de uma ciclovia ou uma ciclofaixa, ou da proteção dessas áreas, pode reduzir consideravelmente o número de pessoas adeptas à mobilidade ativa no dia a dia. Isso cria não apenas uma sociedade sedentária, como também barra soluções acessíveis para a emissão de carbono”, analisa.

Benefícios

Por outro lado, as vantagens da mobilidade ativa são várias, e podem se apresentar tanto na saúde humana quanto na saúde do planeta. “A adoção de uma rotina de caminhadas ou de ciclismo pode melhorar a vida das pessoas significativamente. Por isso, é tão importante que a mobilidade ativa seja estimulada”, assegura.

Benefícios físicos e mentais:

  • Ajuda a manter um peso saudável e perder gordura corporal;
  • Prevenir várias condições, incluindo doenças cardíacas, AVC, tensão arterial elevada, câncer e diabetes tipo 2;
  • Melhora a aptidão cardiovascular;
  • Fortalece os ossos e músculos;
  • Melhora a resistência muscular;
  • Aumenta os níveis de energia;
  • Melhora o estado de espírito, cognição, memória e sono;
  • Reforça o sistema imunitário;
  • Reduz o estresse e tensão;
  • Aumenta a resistência, força e aptidão aeróbica;
  • Melhora a postura e coordenação;
  • Reduz a ansiedade e a depressão.

Benefícios ambientais

Quando escolhemos nos locomover a pé ou por meio de transporte não motorizado, estamos optando pela mobilidade ativa, e essa decisão faz toda a diferença quando se trata da questão ambiental no transporte, salienta a especialista.

“Existe um grande caminho de emissão de carbono relacionado ao uso de automóveis como meio de transporte. O gasto de gasolina, a manutenção do carro privado ou público, ônibus ou táxis, tudo isso coopera cada vez mais para o acúmulo de gases poluentes ou promotores do efeito estufa na atmosfera. E apesar da ideia de carros elétricos ser promissora, ela não é tão acessível, levando em consideração que um carro emite cerca de 150 gramas de dióxido de carbono por quilômetro e que todos os anos mais de 7 milhões de pessoas morrem em decorrência da poluição do ar. Uma boa opção para reduzir essas emissões seria o investimento em mobilidade ativa. Afinal, por ser mais acessível, teria um maior alcance entre a população”, presume.

Em sua opinião, com uma cidade estruturada para atender as demandas da mobilidade ativa dos indivíduos, as pessoas se sentiriam cada vez mais seguras na prática, e o aumento da adesão dessa atividade pode ter um grande impacto positivo se tratando das políticas mundiais contra a mudança climática.

No Brasil

No Brasil, cerca de 13 mil ciclistas morreram nos últimos 10 anos, de acordo com dados do Sistema de Informações Hospitalares e do Sistema de Informação de Mortalidade. Por outro lado, quando se fala sobre os pedestres, eles são quase 19% das mortes no trânsito no país todo. “Esses dados mostram como a estrutura urbana está despreparada para a proteção da mobilidade ativa, e apesar do número de mudanças nesse cenário ter crescido, em relação ao passado, as coisas ainda estão bem lentas. Nos últimos anos o número somado de ciclovias em todas as capitais do Brasil aumentou em 133%. O que ainda é considerado um número baixo se relacionado a países como Amsterdam, que apenas em sua capital de 800 mil habitantes, tem 500 km de ciclovias”, compara.

Para implantar

Diante dos desafios e benefícios físicos, mentais e ambientais, e do cenário brasileiro diante da mobilidade ativa, a especialista lista algumas ações fundamentais para a implantação da mobilidade ativa:

Ciclovias

“A criação de ciclovias seguras é uma forma de investir na mobilidade ativa de uma cidade. É comum que seja reservado aos ciclistas apenas uma ciclofaixa curta próxima das avenidas cheias de carros. Isso representa um perigo, já que o risco do ciclista sofrer um acidente se torna bem maior. No entanto, com uma ciclovia, a pessoa que tem como meio de transporte a bicicleta estará mais segura. Isso porque a ciclovia, diferente da ciclofaixa, precisa de uma separação física da área em que os carros passam. Com a criação de ciclovias adequadas ao redor da estrutura urbana, as pessoas podem começar a se sentir mais seguras ao se locomover com meios de transportes não motorizados”.

Melhora no espaço para pedestre

“O cuidado com as calçadas também é um incentivo à mobilidade ativa do pedestre. Não apenas aqueles que fazem caminhadas, mas também para indivíduos que têm algum tipo de deficiência na locomoção. Muitas vezes essas pessoas se restringem de andar pelas ruas pelo medo de sofrer algum acidente nas calçadas desgastadas. Para mudar esse cenário, a ideia é investir em melhorias na estrutura da calçada. Seja em buracos, defeitos, em rampas e na adaptação das calçadas para deficientes visuais”.

Tempo do semáforo alterado

“O aumento do tempo do semáforo é benéfico principalmente para indivíduos com dificuldade na locomoção, como idosos, crianças, cadeirantes e outras pessoas com deficiência. Em alguns semáforos o tempo oferecido para o pedestre atravessar é tão curto, que é quase impossível alguém com essas dificuldades se locomover pela região. Desta forma, a casa e a escola se reduziram aos únicos espaços que esses indivíduos podem habitar e se expressar sem que corram o risco de sofrer algum acidente ou serem vítimas do trânsito, e a retomada dessas áreas pode ser fundamental para trabalhar a socialização das novas gerações”, finaliza.

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