04 de fevereiro de 2026

Carro autônomo faz mais uma “vítima fatal”


Por Rodrigo Vargas de Souza Publicado 22/02/2019 às 03h00 Atualizado 02/11/2022 às 20h13
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Robô atropeladoFoto: Divulgação.

Há aproximadamente um ano um fato ocorrido no Arizona pôs em cheque a viabilidade dos carros autônomos, já em testes nas ruas americanas àquela época. A primeira morte por atropelamento envolvendo um veículo da Uber levou a empresa a cancelar temporariamente todos os testes utilizando carros autônomos no Canadá e nos Estados Unidos por mais de seis meses, como explico no artigo HUMANIZAR O TRÂNSITO: SERÁ REALMENTE A SOLUÇÃO?.

Eis que no início desse ano uma nova notícia envolvendo carros autônomos da empresa veio a chocar o mundo novamente: CARRO AUTÔNOMO FAZ MAIS UMA “VÍTIMA FATAL”. O mais impressionante nesse caso não se trata do envolvimento de um outro veículo autônomo, mas quem foi a vítima do atropelamento: UM ROBÔ! Essa, muito provavelmente, será a notícia mais inusitadamente futurística que você já leu até hoje. Poderia muito bem ser a sinopse de um filme de ficção científica, no estilo Eu, robô, mas é a mais pura verdade.

O incidente ocorreu em Las Vegas durante uma tradicional feira de tecnologia. A “vítima” foi o modelo v4 (imagem a seguir) de uma empresa chamada Promobot. Ele fazia parte de uma série de robôs autônomos criados pela empresa para fins comerciais, que podem ser alugados por uma diária de aproximadamente US$ 2.000 para funções como, por exemplo, promotor, recepcionista, guia de museus, consultor, concierge, dentre outras.

Conforme o vídeo abaixo, o robô seguia com um grupo de outros robôs para o evento. Em algum momento do trajeto, ainda não se sabe porque, um deles acabou afastando-se do grupo e aproximando-se da via, por onde trafegava um Tesla Model S da Uber. Após atropelar o robô, o veículo ainda rodou cerca de 50 metros antes de parar. Segundo engenheiros da Promobot, os danos causados pelo acidente são irreparáveis, o que os levou a classificar o atropelamento como fatal.

O mais curioso é que não é a primeira vez que robôs da Promobot se envolvem em situações inusitadas como resultado de um comportamento incomum. Em 2016, a empresa russa chamou a atenção do mundo quando um de seus robôs acabou fugindo do centro de pesquisas e causou um congestionamento na cidade de Perm, o que gerou muito temor por parte do público que teme o avanço da inteligência artificial.

A fuga do centro de pesquisas também não é o único ato de rebeldia do Promobot. No mesmo ano, o robô acabou “preso” em um ato político no país. Na ocasião, ele estava sendo utilizado por um candidato em campanha para fazer pesquisas de opinião com o público, mas a polícia pediu para que ele fosse recolhido, chegando a fazer menção de algemá-lo.

Assim como sugeri em PROCESSO DADOS, LOGO EXISTO,

“Se organismos dotados de inteligência artificial têm a capacidade de aprender novos conhecimentos, quem sabe a próxima lição que devemos transmitir a eles seja a de, assim como nós humanos, vez ou outra, infringir algumas leis???”

podemos inferir que, sem sombra de dúvidas, os robôs estão a cada dia que passa mais humanos. Você concorda?

Rodrigo Vargas de Souza

Sou formado em Psicologia pela Unisinos, atuo desde 2009 como Agente de Fiscalização de Trânsito e Transporte na EPTC, órgão Gestor do trânsito na cidade de Porto Alegre. Desde 2015, lotado na Coordenação de Educação para Mobilidade do mesmo órgão.Procuro nos meus textos colocar em discussão alguns dos processos envolvidos na relação do sujeito com o automóvel, percebendo a importância que o trânsito, espaço-tempo desse encontro, vem se tornando um problema de saúde pública. Tendo como objetivos, além de uma crítica às atuais contribuições (ou falta delas) da Psicologia para com a área do trânsito, a problematização da relação entre homem e máquina, os processos de subjetivação derivados dessa relação e suas consequências para o trânsito.Sendo assim, me parece urgente a pesquisa na área, de forma a se chegar a uma anuência metodológica e ética. Bem como a necessidade de a Psicologia do Trânsito posicionar-se de forma a abrir passagem para novas formas heterogêneas de atuação, que considerem as singularidades ao invés de servirem como mais um mecanismo de serialização das experiências humanas.

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