Série de acidentes no Vale do Paraíba: o que está por trás da escalada de tragédias nas rodovias?
A concentração de ocorrências fatais em um curto período acendeu um sinal de alerta sobre as condições de segurança viária na região.

Pelo menos dez pessoas perderam a vida em acidentes de trânsito registrados entre os dias 1º e 4 de agosto de 2025 na região do Vale do Paraíba, no interior de São Paulo. A concentração de ocorrências fatais em um curto período acendeu um sinal de alerta sobre as condições de segurança viária na região e reacendeu o debate sobre prevenção, fiscalização e infraestrutura.
Grande parte dos acidentes aconteceu na Rodovia Presidente Dutra, uma das mais movimentadas do país, que cruza a região ligando São Paulo ao Rio de Janeiro. Os casos envolveram desde colisões frontais e atropelamentos até capotamentos com veículos pesados, como caminhões. Os dados, ainda que parciais, refletem uma tendência preocupante: o número de mortes nas rodovias paulistas vem crescendo em 2025, com o primeiro semestre já sendo apontado como o mais letal desde 2016.
“Infelizmente, esses números não nos surpreendem. A combinação entre excesso de velocidade, desatenção, falta de infraestrutura adequada e comportamento de risco continua sendo devastadora”, afirma Celso Mariano, especialista em trânsito e diretor do Portal.
Causas
Conforme o levantamento mais recente do Infosiga-SP, cerca de 90% dos acidentes fatais no estado têm como causa principal falhas humanas. Ainda assim, a responsabilidade pela segurança não pode recair unicamente sobre o condutor. Fatores como sinalização deficiente, falta de manutenção nas pistas, ausência de passarelas e trechos mal iluminados também agravam os riscos.
Um dos casos que mais chamou atenção ocorreu em São José dos Campos, onde um caminhão perdeu o controle e colidiu contra um viaduto, deixando rastro de destruição e interrompendo o tráfego por horas. Em outra ocorrência, um pedestre foi atropelado em um trecho mal iluminado, sem faixas de travessia visíveis.
Para Celso Mariano, a análise desses eventos deve ir além da estatística. “Cada uma dessas vidas perdidas representa uma família destruída. Precisamos entender o que está falhando sistemicamente: se são os projetos das vias, a ausência de engenharia de tráfego, a precariedade da fiscalização ou a negligência com campanhas de educação”, pontua.
A situação no Vale do Paraíba é emblemática por ocorrer em uma região com intenso fluxo de veículos e histórico de acidentes. Mas poderia ter acontecido em qualquer outra região do país. Por isso, o episódio exige uma resposta nacional, com reforço da fiscalização da Polícia Rodoviária Federal, revisão dos pontos críticos pelas concessionárias e ações integradas entre prefeituras, Detrans e órgãos estaduais.
Enquanto isso, a população segue exposta à insegurança cotidiana nas estradas. E o Brasil, infelizmente, mantém sua posição entre os países com maior número de mortes no trânsito — um drama que só será revertido com políticas públicas consistentes, investimentos estruturais e, sobretudo, mudança de cultura.
