03 de fevereiro de 2026

Pesquisa da SBOT expõe cenário alarmante de acidentes com motocicletas

Jovens do sexo masculino são as principais vítimas. Longas esperas por cirurgia, altas taxas de reinternação, sequelas permanentes e o consumo de álcool antes de pilotar expõem uma crise de saúde pública que sobrecarrega o sistema hospitalar.


Por Assessoria de Imprensa Publicado 25/09/2025 às 14h58
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Acidentes com motocicletas
O volume de atendimentos sobrecarrega os hospitais brasileiros. Foto: willbrasil21 para Depositphotos

A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), em parceria com o Instituto Informa, divulga no mês em que se celebra o Dia do Ortopedista, os resultados de uma pesquisa inédita sobre o atendimento a vítimas de traumas envolvendo motocicletas no Brasil. O levantamento, realizado em 100 hospitais de diferentes regiões do país nos últimos seis meses, mapeou o atendimento a traumas envolvendo veículos de duas rodas em hospitais públicos, privados e filantrópicos em todo o país e revela um panorama crítico que reforça a importância da campanha nacional “Na moto não mate, não morra”, lançada pela entidade para alertar a sociedade sobre os graves impactos sociais e de saúde pública causados pelos acidentes.

Mais de 40% dos especialistas consultados apontaram campanhas educativas como prioridade para reduzir os acidentes, seguidas da necessidade de intensificar a fiscalização.

“O cenário é grave: hospitais lotados, profissionais sobrecarregados e recursos escassos. Além da dor das vítimas e famílias, há um efeito cascata que compromete todo o sistema de saúde, por isso a importância de lançar essa campanha em âmbito nacional, para mobilizar a sociedade, educar condutores e cobrar políticas públicas mais eficazes para um trânsito mais seguro”, alerta o presidente da SBOT, Paulo Lobo.

O estudo mostra que a grande maioria das vítimas é do sexo masculino, com destaque para a faixa etária de 20 a 29 anos (43,2%), seguida por jovens de 15 a 19 anos (26,3%) e de 30 a 49 anos, evidenciando o impacto dos acidentes sobre a população economicamente ativa do país.

As consequências para os sobreviventes são severas e de longa duração. Entre as sequelas mais frequentes estão:

  • Dor crônica (82,1%)
  • Deformidades (69,5%)
  • Déficit motor/limitação funcional (67,4%)
  • Amputações (35,8%)

As regiões do corpo mais atingidas são membros inferiores, bacia e coluna vertebral, gerando limitações irreversíveis que afetam diretamente a qualidade de vida.

Impacto direto no sistema de saúde

O volume de atendimentos sobrecarrega os hospitais brasileiros. Quase 70% das unidades relataram mais de 600 atendimentos a vítimas de trânsito em apenas seis meses, a maioria motociclistas.

Outros dados preocupantes incluem:

  • Mais de 70% dos pacientes permanecem internados por mais de sete dias após cirurgia, ocupando leitos que poderiam ser destinados a outros tratamentos.
  • Metade dos cancelamentos de cirurgias eletivas ocorre por causa da ocupação de vagas por vítimas de acidentes de moto.
  • 60% dos acidentados esperam até sete dias para uma cirurgia, enquanto 31,6% aguardam até 15 dias.
  • Quase 20% dos hospitais (18,3%) relatam taxas de reinternação entre 10% e 30%, por complicações ou necessidade de novos procedimentos.

Álcool e causas mais comuns

O levantamento identificou que até 50% dos pacientes atendidos em alguns serviços haviam consumido álcool antes do acidente, agravando o quadro clínico e a gravidade das ocorrências. As principais causas de sinistros são colisões com outros veículos e quedas da própria moto.

Assessoria de Imprensa

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