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04 de março de 2024

Como conscientizar as pessoas a dirigirem com mais responsabilidade no trânsito?

Entenda como muitos comportamentos imprudentes no trânsito podem ter origem bem antes, nas relações familiares


Por Accio Comunicação Publicado 02/01/2024 às 18h00
 Tempo de leitura estimado: 00:00

Entenda como muitos comportamentos imprudentes no trânsito podem ter origem bem antes, nas relações familiares. Saiba o que influencia a responsabilidade no trânsito

filho no colo do pai sem cinto de segurança
Comportamentos imprudentes muitas vezes começam na família

Muitas vezes com objetivo de agradar, pais acabam deixando os filhos dirigirem sem carteira, e até inclusive incentivam a direção antes dos 18. Mas você já parou para pensar nas consequências de deixar alguém não habilitado dirigir? Com o tema responsabilidade no trânsito em mente, o Programa Com a Palavra, exibido pela RTV ouviu 4 especialistas em trânsito para entender: como conscientizar as pessoas a dirigir com mais responsabilidade?

Apresentado por Rafaela Moron à época, o programa contou com a participação de Neuza Corassa, psicóloga, atuante no Centro de Psicologia Especializado em Medos em Curitiba e autora do livro Seu Carro, Sua Casa sobre Rodas. Celso Mariano, especialista em trânsito, diretor da Tecnodata, empresa com ênfase em educação e segurança no trânsito e diretor do Portal do Trânsito. Tenente Cristiano Machado, à época relações públicas do batalhão da Polícia de Trânsito, da Polícia Militar do Paraná (BPTran). E Adriane Picchetto Machado, psicóloga, especialista em trânsito e diretora da Qualitat Avaliação Psicológica. Confira a seguir os principais pontos debatidos no programa.

Estímulo que vem de casa

Celso Mariano inicia o debate sobre responsabilidade no trânsito lembrando que muitos pais agem por boa intenção, mas esquecem de considerar as consequências. “Muitas vezes o pai ou mãe está movido pelo amor que tem pelo filho e quer dar um reconhecimento, porque o filho tirou nota boa na escola, acha que está fazendo um bem para o filho. Mas está pondo em risco o seu patrimônio e o patrimônio emocional que é incalculável. Quanto vai custar a dor deste filho, por exemplo, de se envolver no acidente e tirar a vida de outra pessoa?”, questiona.

Mariano destaca que infelizmente provocar um acidente é muito mais fácil do que se imagina. “É só fechar o olho e atravessar a rua sem olhar. Você vai ver como é muito fácil provocar um acidente de trânsito. O difícil é evitar o acidente de trânsito”.

Por isso, aumentar o entendimento sobre cidadania no trânsito é um caminho importante para a conscientização. “O trânsito é o ambiente mais democrático que deveria existir, onde todos devem transitar, ter seu espaço, onde a gente deveria parar para dar vez para o outro, etc., mas o que a gente vê a demonstração é contrária. O campo da competitividade, o campo da disputa, da briga, da agressão e daí por diante. Eu acho que existem raízes na nossa história mesmo, da gente não ter uma cultura mais solidária, menos individualista na nossa vida”, alerta Adriane.

Consciência para mudar comportamento

Para ela, “o trânsito só vai mudar, quando a sociedade mudar. Quando a gente conseguir fazer uma mudança social maior”. E para isso, é preciso trazer maior consciência sobre responsabilidade no trânsito.

“Muitas pessoas utilizam o veículo, não como uma arma, mas talvez na sua grande maioria como escudo protetor. Eles se fecham ali dentro e vira aquela nave, aquele ‘eu saio cinco minutos mais tarde, mas preciso chegar 15 minutos antes’”, analisa o Tenente Machado.

Dessa forma, os condutores acabam por transferir para o veículo e para o trânsito todo o estresse do dia a dia. “O motorista vai tentando chegar vencendo semáforo, e aí quem respeita sinalização, quem aguarda o semáforo, quem dá a vez para o pedestre, é tido como um inimigo. (O outro motorista) segura, em vez de ceder a vez, ele fecha você. E isso vai se somando a todos os problemas do dia a dia e acaba trazendo para o trânsito a finalização disso, que é um acidente”.

Para exemplificar, Adriane lembra do famoso desenho do Pateta, Mr. Walker X Mr. Wheeler. “O motorista e o monstro. Fora ele está supertranquilo, pacífico, mas ele entra no carro e se transforma. E isso é real, a gente percebe isso. As pessoas buscam marcas e tipos de carro por interesses pessoais”.

Adriane comenta ainda sobre as pessoas que adquirem carros grandes com o objetivo de oprimir os outros, de externar motivações psicológicas em situações de trânsito.

Como manter a calma no trânsito, na prática?

Mariano admite que não é fácil. “Tem que assumir que realmente você está com uma grande responsabilidade nas mãos”, indica. Como diretor da Tecnodata Educacional, ele efetua treinamento para profissionais que serão os responsáveis pela formação de futuro condutores e guarda uma dica importante.

“Aconselhe sempre o motorista a tirar cinco a dez segundos, antes de sair. Quando você se instala, quando você veste o carro, faça isso com toda a consciência do mundo: ‘a partir de agora, eu sou responsável pela minha condução, pelo meu deslocamento e posso estar colocando em risco a minha vida e a vida dos outros’”. Quando repetido, esta simples tarefa vira um hábito que permite expandir a consciência.

Trânsito e sociedade

Com a prática, o motorista vai adquirindo maior noção do tempo e entendendo, por exemplo, que não adianta querer chegar em 15 minutos em um local onde, naquele horário, o trânsito fará levar cerca de 40 minutos. “Mesmo assim, não é fácil, porque às vezes você é o único daquele trecho, daquela avenida, daquela rua, que está calmo, que está consciente. Todos os outros estão agitados, pois o mundo está muito rápido e o trânsito está cada vez mais lento”, admite Mariano.

Relembre: Paul Walker: a arte imita a vida ou a vida imita a arte?

Por fim, Neuza faz uma alusão entre problemas de trânsito e sociedade. Ela convida para um exercício de imaginação como se cada carro fosse uma casa em miniatura dessas pessoas. “Tem aquelas famílias que são receptivas, em que você chega na casa delas e sempre tem alguma coisa. Há aquelas famílias que tem que marcar hora para visitar. Tem as bagunçadas, enfim… assim, cada carro está trazendo essa característica familiar dentro dele. Então para mim é muito lúdico, quando estou no trânsito, penso: ‘o que será que tem nessa casa, nesse carro-casa? Que tipo de gente tem aqui?’”, exemplifica.

Quer aprender mais sobre responsabilidade no trânsito? Confira a reportagem na íntegra no vídeo abaixo.

* Entrevista veiculada em 2009. Os cargos contidos nessa matéria podem ter sido atualizados após este período.

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