Estudo analisa 650 milhões de km e revela comportamento que mais agrava acidentes no trânsito
Levantamento realizado pela Localiza com mais de mil operações de frotas corporativas aponta excesso de velocidade como fator determinante para eventos mais graves.

O comportamento de quem dirige pode pesar mais para o risco de acidentes graves do que a quantidade de quilômetros percorridos. Essa é uma das principais conclusões de um levantamento realizado pela Localiza a partir de dados de condução de 650 milhões de quilômetros rodados por frotas corporativas no Brasil.
A análise considerou mais de mil operações monitoradas em todo o país e identificou que a recorrência de comportamentos de risco, especialmente o excesso de velocidade, está por trás dos eventos mais críticos. Os dados também indicam que esses padrões podem ser identificados antecipadamente por meio de tecnologias de monitoramento.
Um dos resultados chama particularmente a atenção: em mais de 80% das frotas analisadas, pelo menos um veículo ultrapassou os 140 km/h durante o período avaliado.
O levantamento reforça, assim, a importância do comportamento do condutor para a segurança viária e mostra como dados de telemetria podem ser utilizados não apenas para identificar o que aconteceu durante um deslocamento, mas também para tentar antecipar situações de maior risco.
Rodar mais não significa necessariamente correr mais risco
Para chegar aos resultados, a análise considerou a exposição ao trânsito, levando em conta o volume de quilômetros percorridos pelos veículos.
A partir dessa comparação, os dados apontaram uma situação que contraria a percepção de que uma frota que circula mais necessariamente estará mais exposta proporcionalmente a ocorrências graves.
Conforme o levantamento, frotas maiores e com maior volume de deslocamento tendem a apresentar comportamento mais estável, enquanto operações menores concentram proporcionalmente mais eventos críticos.
A interpretação apresentada é de que o resultado reforça a importância da gestão e do monitoramento contínuo dos condutores, em vez de considerar somente a quantidade de quilômetros percorridos.
“Empresas que tratam mobilidade de forma estratégica já entenderam que o dado é o principal ativo para reduzir riscos e tornar a operação mais eficiente. Quando a informação gerada pelo veículo passa a orientar decisões, é possível antecipar comportamentos críticos, evitar acidentes e, assim, contribuir para um trânsito mais seguro, preservando vidas. É um exemplo concreto de como a coleta de dados e o seu uso estratégico pode reverter positivamente para a sociedade como um todo e para a construção de uma mobilidade mais humana”, afirma João Ávila, diretor executivo de Operações da Localiza&Co.
Excesso de velocidade se destaca entre os comportamentos de risco
Entre os diferentes comportamentos identificados, o excesso de velocidade aparece como o fator mais determinante para a gravidade dos acidentes.
A constatação ganha peso diante do dado de que, em mais de 80% das frotas analisadas, houve pelo menos um registro de veículo acima dos 140 km/h.
O perfil de risco também muda conforme o ambiente em que o veículo circula. Nas áreas urbanas, o levantamento identificou maior presença de frenagens bruscas e acelerações, eventos apontados como geralmente menos graves.
Nas rodovias, por outro lado, a velocidade elevada se consolida como o principal vetor de acidentes fatais, segundo a análise.
Já nas vias não pavimentadas, presentes especialmente em atividades como agronegócio e mineração, o risco aparece mais associado à imprevisibilidade do terreno e à possibilidade de perda de controle do veículo.
Carnaval de 2026 teve aumento de mortes nas rodovias federais
O levantamento também relaciona a exposição ao trânsito e a repetição de comportamentos de risco a períodos de maior movimentação nas estradas.
Durante o Carnaval de 2026, 130 pessoas morreram nas rodovias federais, número 52,9% superior ao registrado no ano anterior, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apresentados no estudo.
Em períodos de maior fluxo, o aumento da exposição, quando combinado à repetição de comportamentos de risco, pode potencializar a gravidade dos acidentes.
Outro ponto destacado pela análise é a limitação de indicadores tradicionais, como as multas, para identificar os motoristas mais expostos a acidentes graves. Embora tenham importância do ponto de vista regulatório, as autuações não necessariamente captam a reincidência de comportamentos críticos observada durante os deslocamentos.
Telemetria permite acompanhar a forma de dirigir
A análise dos padrões de condução é feita com tecnologias como sensores embarcados, telemetria e modelos analíticos. Por meio da Mobi7, empresa da Localiza&Co especializada em gestão de frotas, são monitorados atualmente mais de 1 bilhão de quilômetros por mês.
As informações permitem acompanhar variáveis relacionadas à condução e identificar comportamentos que se repetem ao longo dos trajetos.
No segmento corporativo, uma das iniciativas utilizadas é o DirijaCom, programa de direção segura baseado em telemetria. O sistema atribui aos condutores uma pontuação de zero a 100 considerando fatores como velocidade, aceleração, frenagem e curvas.
De acordo com a empresa, casos acompanhados nos setores de energia, telecomunicações, indústria e serviços indicam que o uso estruturado dessas informações pode reduzir eventos de velocidade extrema, acidentes e custos relacionados às frotas.
“A principal mudança é sair de uma lógica reativa para uma gestão baseada em padrões. Quando você identifica o risco antes dele acontecer, ganha capacidade de atuar de forma muito mais efetiva e, principalmente, de salvar vidas”, finaliza Ávila.
Motoristas de aplicativo também recebem alertas
A estratégia de acompanhamento do comportamento ao volante também é aplicada aos motoristas de aplicativo do segmento Zarp.
Desde 2023, esses condutores recebem alertas relacionados ao excesso de velocidade e a outros comportamentos de risco. Em situações de reincidência, também têm acesso a cursos de direção segura.
A iniciativa busca permitir que os motoristas acompanhem o próprio desempenho e identifiquem comportamentos que podem ser modificados.
Os resultados do levantamento reforçam, sobretudo, que a prevenção de acidentes não depende apenas de quanto um veículo circula. A forma como o condutor se comporta durante esses quilômetros — principalmente em relação à velocidade — pode ser determinante para o nível de risco no trânsito.
