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26 de fevereiro de 2024

Estudo avalia distração de motoristas que enviam mensagens de texto e de áudio ao volante


Por Assessoria de Imprensa Publicado 17/09/2022 às 16h30 Atualizado 08/11/2022 às 21h03
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A partir de testes com simuladores, pesquisador detectou que escrever mensagens de texto distrai mais o condutor do que gravar áudios, mas é preciso evitar ambas as práticas.

Uma das maiores causas hoje em dia de acidentes no trânsito deve-se à distração de motoristas, o que foi acentuado pelo crescente uso dos smartphones. Mesmo sem o telefone em mãos, os próprios carros possuem tecnologia que favorece o uso do aparelho, como painéis inteligentes, bluetooth, viva voz, etc. Tendo noção desse risco incentivado, em dissertação de mestrado realizada no Programa de Pós-graduação de Psiquiatria e Ciências do Comportamento da UFRGS foi avaliada a atenção de jovens condutores que, concomitantemente à direção, utilizavam o aplicativo Whatsapp.

Com o uso de simuladores de direção, um grupo de homens entre 19 e 25 anos participou de três testes de atenção ao volante. No primeiro, os jovens não fizeram o uso do celular. No segundo, foi proposto que eles respondessem a áudios do WhatsApp. Por último, os participantes deveriam conversar por mensagens de texto no mesmo aplicativo.

Resultados

Os pesquisadores identificaram que, quando o motorista utiliza as mensagens de texto de seu celular, a velocidade do veículo se mantém baixa, além de resultar em maior desvio da rota da pista. Nas mensagens de áudio ainda há risco de distração de motoristas, mas em menor escala. 

O psicólogo e autor do trabalho, Marcelo da Rocha, alerta que a baixa velocidade não é necessariamente algo benéfico.

“Se estivermos em uma via em uma velocidade um pouco maior, e eu de repente reduzir, posso causar um acidente às pessoas que andam atrás de mim”, alega o pesquisador. “Então nem sempre reduzir a velocidade no trânsito pode ser positivo”, completa.

Junto a esse risco, dirigir abaixo de metade da velocidade máxima permitida acarreta infração média, multa e quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do condutor. O pesquisador alega que o tamanho do impacto está diretamente relacionado à condição de tráfego. Quanto mais intenso e adverso, maiores são as chances de acidentes, com os participantes tendo uma resposta pior para frenagem ao utilizarem mensagens de texto.

A estrada do simulador

O percurso enfrentado pelos participantes apresentou um trajeto com três pontos de início diferentes, a fim de dificultar que os locais fossem memorizados pelos motoristas ao longo dos testes. No percurso da viagem, as adversidades oferecidas foram, por exemplo: placas de parada; cruzamento com fluxo intenso de veículos; um veículo que surgiria na pista de repente; um veículo na frente que demora a atravessar um semáforo em um cruzamento; crianças fora da faixa de pedestres; e mais algumas cenas de conversões e semáforos, com destaque às curvas.

De acordo com Marcelo, os imprevistos selecionados nas curvas eram únicos, diferentes dos demais ao longo do trajeto.

Sem ser pelo uso do celular, não havia nenhum outro estímulo nesse trecho da via. E, nesses casos, os motoristas desviaram mais da pista.

Conforme o pesquisador, o motivo de buscar essa faixa etária dos selecionados se deve ao fato de que a primeira causa de morte de jovens no mundo hoje são acidentes no trânsito, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ele ainda destaca que realizarão novos testes sobre distração de motoristas, agora com outras faixas etárias bem como a inclusão de participantes do sexo feminino.

Também segundo a OMS, no geral, 1,3 milhão de pessoas de todas as idades morrem por ano devido a colisões de trânsito e 50 milhões ficam feridas ao redor do mundo. O pesquisador também destaca a importância de seu trabalho ser o primeiro na literatura a estudar esse contexto de forma experimental. Muito disso se deve ao fato das referências na academia não conseguirem acompanhar na mesma escala a velocidade da evolução tecnológica. Outros temas parecidos, por exemplo, que foram encontrados acabam fugindo do proposto por Marcelo.

“Eu creio que a evolução das telas multimídias dos carros possa realmente contribuir para que não haja tanta distração de motoristas. No entanto, não é a nossa realidade, principalmente no Brasil. Ou são muito caros, ou o sol bate e você não enxerga. Além disso, muitas pessoas se batem com as funções. Dessa forma, você acaba se distraindo mais ainda”, afirma o pesquisador.

Infrações de trânsito

Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê multa bem como três pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ao motorista que for flagrado dirigindo sem atenção aos cuidados indispensáveis à segurança. Contudo, usar o celular ao volante configura-se como infração gravíssima, e o motorista leva sete pontos na carteira e multa.

Segundo dados do Departamento de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran/RS), de 2011 a setembro de 2021 cerca de 850 mil autuações foram geradas devido ao uso dos aparelhos celulares de motoristas enquanto dirigiam no estado gaúcho. Marcelo também aponta que, no Brasil, em 2019, colisões por falta de atenção em rodovias federais representaram 35% do total relatado pela Polícia Rodoviária Federal.

O pesquisador destaca a importância da legislação para mudar esse cenário.

“Não é possível admitir que revoguem leis que ajudavam a melhorar o trânsito”, alega, citando como exemplo a ampliação da validade da CNH, que passou de cinco para dez anos.

Essa medida, na avaliação do pesquisador, deixa as pessoas longe dos Centros de Formação de Condutores (CFC) por mais tempo.

As informações são do Jornal da UFRGS

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