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14 de julho de 2024

Especialista alerta: adesivo no carro de recém-habilitado pode ser uma armadilha. Entenda!


Por Mariana Czerwonka Publicado 26/09/2022 às 11h15 Atualizado 08/11/2022 às 21h03
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Para especialista, o fato de estampar em adesivo a condição de recém-habilitado pode criar uma armadilha e atrapalhar mais do que ajudar o condutor.

“Cuidado! Recém-habilitado na direção”…essa frase – entre outras variações – está ficando famosa e virou adesivo em muitos automóveis de condutores recém-habilitados que ainda se sentem inseguros em enfrentar o trânsito no dia a dia. No entanto, para Márcia Pontes, especialista referência no Brasil em superação do medo de dirigir e inovação pedagógica para o ensino da direção veicular, o fato de estampar a condição de recém-habilitado pode criar uma armadilha e atrapalhar mais do que ajudar o condutor.

Para a especialista, assim como tem condutores experientes, que respeitam, existem outros que acabam causando mais confusão. “Eles aproveitam para tirar sarro, buzinar. Se for mulher então, aí é pior”, expõe Pontes.

O alerta da especialista, no entanto, vai além. De acordo com ela, em caso de sinistro de trânsito, é possível usar o adesivo de recém-habilitado contra o próprio condutor.

“O que era para ser um apelo à tolerância e paciência dos motoristas, acaba virando uma armadilha. Isso porque mesmo que não tenha sido o recém-habilitado o causador do acidente, a falta de experiência pode ser usada pelo outro condutor para culpá-lo e forçá-lo a pagar os prejuízos”, diz.

Pontes explica que tem sido cada vez mais comum, que diante de uma colisão em que um dos envolvidos seja um recém-habilitado, o outro motorista fotografar o adesivo para anexar aos autos do processo. “Quando o motorista é mal-intencionado, ele ameaça denunciar o recém-habilitado ao Detran ou à Justiça para provocar a perda da Permissão para Dirigir (PPD) e obrigar a fazer todo processo de habilitação novamente. Com medo, muitos condutores assumem os prejuízos e a culpa do acidente que não causaram”, avisa.

Insegurança ao dirigir

A especialista aconselha que, se o condutor ainda estiver inseguro para enfrentar o trânsito, ele procure ajuda e não utilize o adesivo. “O recado colado no vidro não substitui os treinamentos de pedais, volante, retrovisor,  noção de espaço, aumento e redução de marchas. Dirigir é um conjunto de habilidades motoras que precisam ser treinadas. E isso vem ao repetir lenta e corretamente dos movimentos até que eles fiquem automáticos”, garante Pontes.


Saiba mais:

Recém-habilitado pode pegar rodovia? 

Projeto de Lei sobre adesivo para recém-habilitado

No sentido contrário, um Projeto de Lei em tramitação no Senado Federal desde 2020, prevê que seja obrigatório o uso de adesivo especial nos veículos dos condutores maiores de 65 anos, portadores de necessidades especiais ou com permissão para dirigir.

De autoria do senador Jorge Kajuru (CIDADANIA/GO), o objetivo do PL, conforme o autor, é promover o respeito aos grupos mais vulneráveis. Além disso, aumentar a proteção do sistema de trânsito como um todo. “A inspiração deste PL vem do Japão, país que dispensa apresentações quando o assunto é a organização da sociedade e o respeito aos idosos. Pois bem, os veículos no Japão possuem uma identificação especial que indicam a condição de alguns condutores. Se, por exemplo, a pessoa é debutante na direção, se é portadora de necessidades especiais ou se é idosa. Trata-se de uma medida muito importante no trânsito japonês. Isso só demonstra o quanto o Japão é um país preocupado com todos os seus cidadãos”, justifica o senador.

Para ele, o aviso no veículo serve para que os demais condutores saibam que se trata de um idoso dirigindo. Ou, ainda, de alguém que acabou de tirar a carteira, ou que possua deficiência auditiva, e possam redobrar a atenção e ter o necessário respeito e paciência exigidos. “Não se trata aqui de impor qualquer tipo de discriminação com deficientes, idosos ou recém habilitados. O objetivo é o oposto disso. Promover o respeito e conferir prioridade no trânsito a essa população, que por conta de uma característica ou outra, precisa do apoio dos demais condutores, seja na prática da direção defensiva, seja no respeito e paciência para com o próximo”, conclui.

O PL tramita na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e aguarda designação de relator.

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