17 de janeiro de 2026

Números distorcidos: quando os dados sobre sinistros de trânsito enganam mais do que informam


Por Mariana Czerwonka Publicado 25/04/2025 às 08h15
Ouvir: 00:00
estatísticas de trânsito: dados sinistros
Esse tipo de confusão pode gerar uma falsa percepção de melhora (ou piora) no cenário nacional. Foto: Divulgação PRF

Recentemente, diversos veículos de comunicação divulgaram os dados do Anuário Estatístico da Polícia Rodoviária Federal (PRF), revelando que, em 2024, mais de 6 mil pessoas morreram e cerca de 84 mil ficaram feridas em sinistros de trânsito. No entanto, um detalhe importante passou despercebido ou foi omitido em algumas reportagens: esses números se referem exclusivamente às rodovias federais.

É comum que estatísticas divulgadas com destaque na imprensa acabem sendo interpretadas como um retrato fiel do trânsito em todo o país. Mas, nesse caso, os dados sobre sinistros da PRF abrangem apenas uma parte da malha viária nacional — as rodovias federais, que somam pouco mais de 75 mil quilômetros, de um total superior a 1,7 milhão de quilômetros de vias no Brasil.

Esse tipo de confusão pode gerar uma falsa percepção de melhora (ou piora) no cenário nacional.

Afinal, o Brasil registra, em média, mais de 30 mil mortes por ano no trânsito, considerando todas as vias: federais, estaduais e municipais. Reduzir essa realidade a pouco mais de 6 mil mortes dá a entender que o problema é menor do que realmente é — o que pode comprometer políticas públicas e a mobilização social por mais segurança viária.

De acordo com Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, o uso correto e transparente dos dados é fundamental para que a população compreenda a gravidade do problema e para o planejamento de ações eficazes. “Erros de interpretação ou divulgação incompleta, ainda que não intencionais, têm impacto direto na forma como a sociedade percebe os riscos e cobra soluções”, explica.

Ele diz ainda que entender de onde vêm os números é tão importante quanto os números em si.

“Afinal, quando o assunto é trânsito, cada estatística representa vidas que se perderam — e outras tantas que podem ser salvas com informação clara, ações preventivas e políticas sérias”, conclui.

Mariana Czerwonka

Meu nome é Mariana, sou formada em jornalismo pela Universidade Tuiuti do Paraná e especialista em Comunicação Empresarial, pela PUC/PR. Desde que comecei a trabalhar, me envolvi com o trânsito, mais especificamente com Educação de Trânsito. Não tem prazer maior no mundo do que trabalhar por um propósito. Posso dizer com orgulho que tenho um grande objetivo: ajudar a salvar vidas! Esse é o meu trabalho. Hoje me sinto um pouco especialista em trânsito, pois já são 11 anos acompanhando diariamente as notícias, as leis, resoluções, e as polêmicas sobre o tema. Sou responsável pelo Portal do Trânsito, um ambiente verdadeiramente integrador de informações, atividades, produtos e serviços na área de trânsito.

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *