20 de junho de 2026

O que pode mudar na sua CNH? Entenda a proposta que altera o CTB

Proposta que altera 63 artigos do Código de Trânsito Brasileiro ainda será votada pelo Congresso Nacional, mas já provoca debates em todo o país por seus possíveis impactos na habilitação, fiscalização, segurança viária e mobilidade.


Por Mariana Czerwonka Publicado 20/06/2026 às 08h15
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mudar CNH
Com 63 artigos alterados, a proposta de reforma do CTB já mobiliza especialistas, entidades e órgãos de trânsito antes mesmo da votação pelo Congresso Nacional. Foto: Divulgação Detran/MS

A reforma do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ainda não foi aprovada, mas já se tornou um dos assuntos mais debatidos entre especialistas, órgãos de trânsito, Centros de Formação de Condutores (CFCs), entidades representativas e profissionais do setor. O motivo é simples: o Projeto de Lei 8.085/2014 e seus apensados podem promover a maior alteração na legislação de trânsito desde a criação do CTB, em 1997.

O 4º Substitutivo apresentado pelo relator da Comissão Especial da Câmara dos Deputados, deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), altera 63 artigos da lei e consolida propostas discutidas ao longo de meses de audiências públicas e seminários realizados em diferentes regiões do país.

Mesmo sem ter sido aprovado, o texto já mobiliza diversos segmentos porque suas consequências podem atingir diretamente milhões de brasileiros, inclusive aqueles que não pretendem tirar a CNH nos próximos anos.

Não é apenas uma mudança para quem vai se habilitar

Quando surgem notícias sobre alterações no processo de formação de condutores, muita gente acredita que o assunto interessa apenas aos futuros motoristas. No caso da reforma do CTB, essa percepção está longe da realidade.

Embora o projeto trate de mudanças na obtenção da CNH, ele também propõe alterações que podem afetar quem já possui habilitação há décadas.

Entre os temas presentes no relatório estão novas regras para renovação da CNH, avaliação psicológica periódica, criação de prontuário nacional de perícias médicas e psicológicas, fiscalização eletrônica, mobilidade elétrica e circulação de novos modais de transporte.

Por isso, o debate extrapola o universo das autoescolas e alcança praticamente todos os usuários das vias.

Uma proposta que pode redesenhar a formação de condutores

Um dos pontos que mais tem movimentado o setor é a reformulação do processo de habilitação.

O texto propõe mudanças significativas nas regras de formação, incluindo a definição da carga horária mínima de aulas práticas diretamente no CTB, a possibilidade de atuação de instrutores autônomos e a realização de exames práticos em Escolas de Trânsito credenciadas.

Também permanece na proposta a possibilidade de habilitação para jovens entre 16 e 18 anos, um dos temas que mais geraram debates durante os trabalhos da Comissão Especial.

Essas mudanças têm potencial para impactar diretamente a forma como os futuros condutores serão preparados nos próximos anos.

O debate vai além da CNH

Outro aspecto que ajuda a explicar a repercussão do projeto é o fato de ele abordar temas que ultrapassam a formação de motoristas.

O próprio relatório destaca a necessidade de criar regras para questões que hoje ainda geram dúvidas ou lacunas na legislação, como bicicletas elétricas, equipamentos de mobilidade individual autopropelidos e veículos autônomos ou semiautônomos.

Trata-se de uma discussão importante porque o trânsito brasileiro está passando por uma transformação acelerada. Novas tecnologias, formas de deslocamento e modelos de transporte surgem em ritmo muito mais rápido do que a atualização das normas.

Nesse contexto, a reforma busca antecipar debates que tendem a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos.

Segurança viária voltou ao centro das discussões

Talvez o principal recado transmitido pelo relatório seja a tentativa de recolocar a segurança viária no centro das decisões relacionadas ao trânsito.

Ao justificar diversas propostas, o relator cita o número de mortes registradas nas vias brasileiras e afirma que determinadas flexibilizações não podem ocorrer sem considerar seus impactos na preservação da vida.

Essa preocupação aparece em temas como a formação de condutores, a avaliação psicológica periódica, os critérios para exames de habilitação e a criação de mecanismos nacionais de controle e compartilhamento de informações.

Conforme o especialista em trânsito e diretor do Portal, Celso Mariano, a relevância da proposta vai muito além das mudanças pontuais.

“Muitas pessoas acreditam que alterações no Código de Trânsito dizem respeito apenas a quem está tirando a habilitação, mas isso não é verdade. O CTB influencia diretamente a vida de todos os usuários das vias, desde motoristas e motociclistas até ciclistas e pedestres. Por isso, acompanhar esse debate é uma questão de cidadania.”

De acordo com Mariano, mesmo antes da aprovação, o projeto já merece atenção da sociedade. “O texto ainda pode sofrer alterações durante a tramitação. No entanto, ele já mostra quais são as prioridades que estão sendo discutidas para o futuro do trânsito brasileiro. Quanto mais as pessoas compreenderem essas propostas, maior será a participação social em um tema que afeta a vida de todos”, explica o especialista.

O projeto ainda não virou lei. Então por que acompanhar?

Uma dúvida comum é por que acompanhar uma proposta que ainda não entrou em vigor.

A resposta está justamente no estágio atual da tramitação.

É durante as discussões nas comissões e no plenário que as mudanças podem ser ajustadas, ampliadas ou até retiradas do texto. Depois da aprovação, as possibilidades de alteração tornam-se muito mais limitadas.

Além disso, o histórico recente mostra que muitas mudanças no trânsito acabam produzindo impactos significativos no cotidiano dos brasileiros, seja no processo de habilitação, na fiscalização ou nas exigências para conduzir veículos.

O que acontece agora?

Após a apresentação do 4º Substitutivo, parlamentares apresentaram pedido conjunto de vista, adiando a votação na Comissão Especial para o dia 7 de julho. A expectativa é que o Plenário da Câmara dos Deputados analise a matéria já em 8 de julho. Caso aprovada, seguirá para apreciação do Senado Federal.

Até lá, o projeto continuará sendo debatido por especialistas, entidades e representantes do setor. E, independentemente do resultado final, uma coisa já está clara: a reforma do CTB deixou de ser uma discussão restrita aos bastidores de Brasília e passou a envolver temas que podem influenciar diretamente o trânsito brasileiro nos próximos anos.

Mariana Czerwonka
Mariana Czerwonka

Meu nome é Mariana, sou formada em jornalismo pela Universidade Tuiuti do Paraná e especialista em Comunicação Empresarial, pela PUC/PR. Desde que comecei a trabalhar, me envolvi com o trânsito, mais especificamente com Educação de Trânsito. Não tem prazer maior no mundo do que trabalhar por um propósito. Posso dizer com orgulho que tenho um grande objetivo: ajudar a salvar vidas! Esse é o meu trabalho. Hoje me sinto um pouco especialista em trânsito, pois já são 11 anos acompanhando diariamente as notícias, as leis, resoluções, e as polêmicas sobre o tema. Sou responsável pelo Portal do Trânsito, um ambiente verdadeiramente integrador de informações, atividades, produtos e serviços na área de trânsito.

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