13 de setembro de 2026

USP vai reescrever manual de 1999 que ainda orienta o traçado das rodovias brasileiras

A Escola de Engenharia de São Carlos assinou contrato para revisar quatro manuais de projeto e criar um guia inédito sobre áreas de escape.


Por Assessoria de Imprensa Publicado 13/09/2026 às 08h15
Ouvir: 00:00
traçado de rodovias
Para quem transporta veículos e percorre milhares de quilômetros, curvas, descidas, acessos e áreas de escape bem dimensionados fazem diferença na operação. Foto: Divulgação

Ainda se projeta parte das rodovias brasileiras ainda com base em parâmetros definidos no fim do século passado. O principal manual para o traçado de estradas rurais do país foi publicado em 1999, quando a frota, os caminhões e as tecnologias disponíveis para a engenharia rodoviária eram muito diferentes dos atuais. Agora, esse conjunto de referências passará por revisão.

A Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP assinou contrato com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Fundação para o Incremento da Pesquisa e do Aperfeiçoamento Industrial (Fipai) para atualizar quatro manuais utilizados no projeto de rodovias. O acordo, firmado em 1º de setembro, terá duração de 36 meses.

Para o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), a iniciativa chama atenção para uma etapa da segurança viária que o motorista dificilmente enxerga: uma estrada começa a ser mais ou menos segura ainda na prancheta. “Uma rodovia segura começa muito antes de se colocar o asfalto. Começa no projeto. Para quem transporta veículos e percorre milhares de quilômetros, curvas, descidas, acessos e áreas de escape bem dimensionados fazem diferença na operação e, principalmente, na proteção de quem está na estrada. Atualizar esses critérios é preparar a infraestrutura para o transporte que o Brasil tem hoje”, afirma José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, presidente do Sinaceg.

Serão revistos os manuais de projeto geométrico de rodovias rurais, de 1999, de interseções, de 2005, de travessias urbanas, de 2010, e de acesso a áreas lindeiras, que foi publicado em 2024.

A inclusão de um documento recente mostra que o trabalho não se limita a substituir normas antigas. Ou seja, a revisão também busca dar coerência a referências que orientam diferentes partes de um mesmo sistema rodoviário.

A elaboração de um quinto documento começará do zero. Será um guia nacional para implantação de áreas de escape, estruturas destinadas a receber principalmente caminhões que perdem a capacidade de frenagem em descidas longas. Hoje, essas áreas existem em pontos críticos das rodovias, mas ainda não há um referencial nacional que padronize critérios como localização, extensão e materiais utilizados na frenagem.

A coordenação do projeto é da professora Ana Paula Camargo Larocca, do Departamento de Engenharia de Transportes da EESC. A revisão deverá incorporar aos parâmetros tradicionais da engenharia, como raio de curvas, rampas e distância de visibilidade, fatores relacionados ao comportamento dos veículos, à percepção de quem dirige e à possibilidade de erro humano. A lógica é projetar rodovias capazes de reduzir o risco e impedir que uma falha se transforme em acidente grave.

“Os veículos mudaram, os caminhões evoluíram e a tecnologia transformou a operação do transporte rodoviário. É natural que os parâmetros usados para projetar as estradas acompanhem essa evolução. Para o cegonheiro, que trabalha com uma carga de alto valor e um veículo de grandes dimensões, uma rodovia melhor projetada significa mais previsibilidade, segurança e condições adequadas de trabalho”, afirma Márcio Galdino, diretor regional do Sinaceg.

A atualização ganha peso em um país no qual cerca de 65% das cargas circulam por rodovias, conforme dado citado pelo diretor de Planejamento e Pesquisa do Dnit, Luiz Guilherme Rodrigues de Mello, durante a assinatura do contrato.

Os novos critérios, porém, não precisarão esperar três anos para começar a circular.

O projeto prevê workshops e cursos de capacitação para servidores e colaboradores do Dnit. Dessa forma, aproximando as discussões técnicas de quem elabora editais, acompanha projetos e fiscaliza obras.

O guia de áreas de escape também poderá produzir efeitos antes das mudanças que dependem de novas rodovias ou grandes intervenções. Como é possível instalar essas estruturas em estradas já existentes, especialmente em serras e descidas críticas, a definição de parâmetros nacionais abre caminho para intervenções mais rápidas e padronizadas.

Assessoria de Imprensa
Assessoria de Imprensa

Conteúdo enviado por Assessoria de Imprensa especializada. Para encaminhar a sua sugestão, basta enviar e-mail para [email protected]

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *