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As cidades prejudicam a mobilidade dos idosos? 

As cidades prejudicam a mobilidade dos idosos?

ACésarVeiga conta o relato de seu Antônio, que mostra as dificuldades enfrentadas pelos idosos em relação a mobilidade nas cidades. Leia!

Suponho que “Sim”, pois a dura realidade é que a “pessoa idosa” enfrenta inúmeras dificuldades com a capacidade e a facilidade de locomoção por sua cidade ou bairro. (E isso chega a ser predomínio em todo o território nacional)

OBS: no Brasil idoso é todo indivíduo com 60 anos ou mais.

O resultado da falta de compromisso com a mobilidade urbana através de políticas públicas adequadas é experimentado na pele de qualquer cidadão; mas a pessoa idosa está entre as mais prejudicadas.

Um exemplo é o Seu Antônio – aposentado com 67 anos!

Na sua cidade acontece, segundo últimas estimativas, que “um em cada três” acidentes de trânsito envolvendo pedestres são com pessoas idosas. (sabemos que o cenário, contudo, não se restringe aos grandes centros urbanos)

Seu Antônio diz que na sua localidade o deslocamento não é pensado para o pedestre idoso.

“O país envelheceu rápido. Precisamos de políticas públicas que atendam essa população crescente. Políticas que saiam da lei e cheguem às ruas”; admite nosso sessentão.

Relata que com o passar dos anos, segundo seu médico, sua massa muscular diminuiu, as cartilagens se desgastaram, a visão reduziu, o reflexo ficou mais lento e o conjunto de tudo isso dificulta o caminhar e o equilíbrio.

Quando “vagueia” pelo bairro nota a raridade de pisos regulares, e existência de muitas calçadas com raízes expostas e diferenças de altura tornando sua caminhada um grande e perigoso problema. (motivo pelo qual, por vezes, sente-se desestimulado a sair de casa para andar pelas saudosas ruas bem arborizadas, tal qual o bom vovô que gosta de ficar lembrando os bons tempos)

Relatou que o transporte público também precisa ser renovado. Os funcionários das empresas ou consórcios devem ser treinados e os pontos de ônibus adaptados.

“Já fui xingado por demorar a subir no ônibus” – nos informa – e constantemente seu amigo e companheiro de passeio – de pequena estatura -, encontra enorme dificuldade para subir no degrau do ônibus devido ao desnível excessivo com a calçada.

“Até os sinais de pedestres precisam ser programados para que todos, e não somente os idosos, mas pessoas com a mobilidade reduzida, mulheres grávidas entre outros, consigam atravessar tranquilamente sem urgência. (“a maioria das vezes mesmo com o sinal verde não arrisco atravessar, pois as vias estão num clima de desordem indescritível, e de confusão enfumaçada” – complementou)

Nosso querido amigo idoso questiona que possivelmente gestores responsáveis pela mobilidade urbana sequer consultam profissionais especializados que dominam as necessidades e os meios para formular normas e políticas públicas funcionais neste campo de atividade. (considerou: “São políticos que caem de paraquedas nas instituições públicas responsáveis pela mobilidade urbana sem possibilidade de continuidade para as ações que venham a ser tomadas ou por incapacidade mesmo – os famigerados cargos políticos em que transbordam certas formas de atitudes que se podem jogar no lixo”)

Disse saber que a “Lei da Acessibilidade” está em vigor desde 2000 no Brasil, mas a autonomia para cidadãos com mobilidade reduzida não é real.

Em sua cidade, por exemplo, as realizações mais básicas – previstas em Leis e Políticas Públicas -, como calçadas largas regulares com piso antiderrapante, ônibus no mesmo nível dos passeios, faixa de pedestres adequadamente sinalizadas e suficientes, assim como corrimãos em locais públicos, não citando outras necessidades básicas, são raridades. (as Prefeituras não cumprem suas metas nos prazos estipulados e a probabilidade que venham a cumprir se perde no tempo)

Seu Antônio trouxe um dado interessante. Disse:

“No ranking mundial de mortes no trânsito, em números absolutos, o Brasil figura em uma nada dignificante quarta posição. Atrás apenas de China, Índia e Nigéria.” (nossas cidades são uma aglomeração imensa, confusa e inesperada como um vagalhão humano que ondula)

Como estamos melhorando continuamente a expectativa de vida do brasileiro, a perspectiva é que cada vez mais o número de idosos cresça obrigando a sociedade em geral abandonar as concepções envelhecidas e poeirentas.

OBS: em 2007, o Brasil tinha 17,4 milhões de pessoas acima dos 60 anos. Em 2027 terá, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 37,9 milhões. Mais que o dobro.

No entanto, políticas específicas com objetivo de melhorar a mobilidade daqueles que se enquadram nessa faixa etária não estão sendo colocadas em prática. E, tampouco, discutidas forçando o cidadão a viver em uma situação inquieta e desamparada.

Seu Antônio parece ser um homem que pretende continuar fiel a ética, tanto que se despediu acabrunhado dizendo:

– “Eu não sou um falso amigo da mobilidade urbana, mas um simpatizante crítico”

E você?

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