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Gerenciamento do risco no trânsito 

Gerenciamento do risco no trânsito

No trânsito, para que se possa gerir os riscos, antes de mais nada, é necessário percebê-los. Leia o post de Rodrigo V. de Souza.

Foto: Divulgação Autor.

Inquieto como sempre, há alguns meses comecei a me aventurar no mercado financeiro, do qual tomei emprestado o termo gerenciamento (ou gestão) do risco.

Todo o investimento, seja em renda fixa ou variável, pressupõem riscos, podendo, conforme o caso, serem maiores ou menores. Gerenciar esses riscos significa tentar evitar perdas e, quando não for possível evitá-las, tentar diminuir a frequência ou severidade das perdas, entendendo-se frequência de perdas como a quantidade de vezes que a perda ocorre, enquanto a severidade seria o custo do prejuízo decorrente da perda.

Voltando ao âmbito do trânsito, o Maio Amarelo, que é um movimento internacional de conscientização para redução de acidentes de trânsito, traz esse ano uma campanha que me parece ser fundamental:

Perceba o risco. Proteja a vida!

A grande sacada está na primeira palavra do slogan da campanha, pois, tanto no mercado financeiro quanto no trânsito, para que se possa gerir os riscos, antes de mais nada, é necessário percebê-los.

Porém, antes de me ater aos já vastamente mencionados riscos inerentes ao trânsito, gostaria de convidá-lo, estimado leitor, a fazer um breve resgate histórico dos percursos humanos com relação à mobilidade.

Historicamente, o ser humano passou a cultivar de forma doméstica o próprio alimento há pouquíssimo tempo, há aproximadamente 10 mil anos.

Nos demais 2,5 milhões de anos de sua existência, antes da revolução agrícola, o ser humano subsistia em pequenos grupos da caça e da coleta de grãos. Por depender desses insumos naturais, assim que esses tornavam-se escassos na sua região, ou que sua prole crescia, esses grupos eram obrigados a migrar para regiões de maior abundância.

Nesses processos migratórios, o advento da roda teve, inegavelmente, um importante papel, pois possibilitou ao homem capacidade não apenas de transportar mais mantimentos como de ampliar sua área exploratória. Entretanto, imagine que em determinada ocasião, na busca por um novo local que pudesse prover seu sustento temporariamente, um grupo se depara às margens de um grande manancial que o separa de terras fartas de possíveis recursos escondidos nas margens opostas. Não satisfeito, o ser humano criou pequenas embarcações que, com o passar das gerações, transformaram-se em pequenas naus, até virarem gigantescos navios transatlânticos.

Contudo, alguns séculos mais tarde, durante uma morosa e massante travessia náutica, o homem que estava no convés olha para o céu e vê os pássaros planando no ar numa célere e acrobática viagem e deseja também ganhar os ares.

Eis que, ganhando os céus, não satisfeito, ele almeja o espaço e, após chegar a lua, já planeja colonizar outros planetas. Tudo numa espantosa velocidade que parece aumentar a cada dia.

Toda essa viagem no tempo apenas por dois simples motivos: o primeiro para mostrar que o ser humano é um transpositor de limites nato; o segundo – que está diretamente ligado a essa característica – é que somos naturalmente aficionados por velocidade.

Velocidade que é um tema que já me dispus a falar em REDUÇÃO DE VELOCIDADE: PRECISAMOS FALAR SOBRE ISSO e em VELOCIDADE NO TRÂNSITO: O PROBLEMA QUE AVANÇA 17 M/S, e que no meu ponto de vista é o fator que mais traz riscos no trânsito.

E o maior risco se dá justamente por esse fator histórico que o automóvel é capaz de aguçar.

Ele possibilita que o homem ultrapasse os limites do seu próprio corpo, tornando-se senhor do espaço e do tempo e chegando a lugares aos quais jamais chegaria com os próprios pés e com a mesma velocidade. Sobretudo quando, com a crescente tecnologia veicular, os automóveis têm sido equipados com cada vez mais itens de segurança, passando ao condutor um sentimento de falsa onipotência, que acaba, quase sempre, sendo transferido ao pedal da direita.

Enquanto isso, seguimos trabalhando para que o resultado da equação predisposição humana a superar limites X percepção do risco seja, na medida do possível, positivo. Que o trânsito possa ser um investimento de risco cada vez menor, no qual os prejuízos, quando houver, não sejam na casa dos milhões, sobretudo quando o principal ativo for capital humano.

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