29 de junho de 2026

Aulas teóricas remotas: hora da revisão!


Por Álvaro J. Pedroso Publicado 20/01/2022 às 16h30
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O especialista Álvaro J. Pedroso questiona se não é a hora de reavaliar a manutenção das aulas teóricas remotas na formação de condutores. Leia!

A formação de condutores, durante o período da pandemia causada pelo Covid-19, que infelizmente persiste, passou por mudanças nas aulas teóricas para viabilizar a sua continuidade, ocorrendo o deslocamento da sala de aula presencial para o ambiente virtual, entretanto, as aulas teóricas remotas tratava-se de uma solução paliativa.

Depois do período mais crítico, que esperamos já ter passado, entendemos que deve ser revista a manutenção da modalidade de ensino remoto, devido às seguintes circunstâncias observadas no dia-a-dia:

  • O trânsito é uma realidade material e deve ser tratado no ensino com a maior interatividade possível, o que mesmo com aulas remotas ao vivo não é possível;
  • Mesmo que os alunos tenham equipamentos e internet em boas condições, que haja uma interatividade efetiva através dos meios eletrônicos, não é possível garantir a qualidade de ensino;
  • Ensinar é um processo que envolve olhos nos olhos, expressões corporais e “feedback” pessoal, o que certamente nos permite como educadores perceber o grau de compreensão de cada aluno e contribuir para o seu efetivo aprendizado;
  • Nas aulas remotas, embora transmitidas ao vivo, a interação para melhor aproveitamento das aulas fica muito prejudicada. Isso ocorre devido a heterogeneidade dos alunos quanto a formação cultural, escolaridade e equipamentos;
  • Os fatores interesse e compreensão de cada aluno também interferem sobremaneira na assimilação do conhecimento;
  • Entre aqueles que de alguma forma participam, pois são raras as participações com a câmera e microfone abertos, são constatadas diariamente muitas situações explícitas de dispersão durante as aulas:

    • Alunos assistindo aulas da faculdade simultaneamente com a formação de condutores (igualmente remotas e nos mesmos horários);
    • Aulas assistidas durante o horário de trabalho;
    • Interrupção da aula porque o pet fez sujeira no tapete da sala;
    • Aulas em trânsito durante viagens;
    • Microfone aberto em discussão familiar ou assistindo TV durante a aula;
    • Aulas no transporte coletivo;
    • Interrupção da aula para atendimento dos filhos;
    • Interrupção da aula para receber o serviço de entrega em domicílio;
    • Aula enquanto dirige, e sem habilitação;
    • Incapacidade de operar sistemas informatizados;
    • Aula sem microfone para retorno;
    • Quedas constantes da internet do aluno;
    • Aula durante o churrasco de sexta à noite;
    • Escolaridade deficiente;
    • Aulas via aparelho celular sem os recursos necessários;
    • Equipamentos do aluno com limitação técnica;
    • Saindo do trabalho para embarcar no transporte coletivo durante as aulas.

Ainda que no momento, já estejam ocorrendo aulas híbridas, ou seja, com alunos presentes e à distância, simultaneamente, ainda se trata de medida paliativa. E isso não favorece a aprendizagem dos alunos, seja por que meio estejam assistindo as aulas.

Neste contexto, portanto, e, ouvidos muitos especialistas da área de educação, a modalidade remota foi necessária, mas já está na hora de restabelecer a modalidade de aulas presenciais na formação de condutores e até com melhores resultados, aproveitando a experiência que a pandemia nos proporcionou, afinal a vacinação está bastante avançada e mantidos os protocolos de prevenção pode-se trabalhar normalmente e com segurança.

Se as aulas nas escolas e faculdades já foram retomadas. Além disso, se até mesmo o retorno do público aos estádios de futebol já foi viabilizado, não existe justificativa para se manter o ensino à distância na formação teórica de condutores, quando tão precária e de tamanha relevância para um trânsito mais seguro.

É preciso retomar de fato a formação de condutores. Vamos encarar a realidade!

Acreditamos que para atingir resultados de qualidade neste âmbito, só será possível com as aulas presenciais. Nelas, instrutores, alunos e o sistema brasileiro de trânsito, lado a lado estarão em plena sinergia para melhoria da realidade brasileira no trânsito.

Álvaro J. Pedroso
Álvaro J. Pedroso

Formação Superior em Serviço Social, atuando há mais de 40 anos.Experiência na área pública a nível Federal, Estadual e Municipal, e na iniciativa privada na Indústria e Transportes sempre dedicado à formação e ao aperfeiçoamento de profissionais.Exerce atualmente as funções de Diretor de Ensino e Instrutor de Trânsito em Centro de Formação de Condutores, onde nos últimos 20 anos já ministrou aulas teóricas para pouco mais de 10 mil alunos no curso de primeira habilitação e perto de 3 mil horas/aula para alunos do curso de reciclagem destinado a condutores infratores.

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