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Avaliação diagnóstica no processo de formação de condutores


Por Márcia Pontes Publicado 07/07/2014 às 03h00 Atualizado 02/11/2022 às 20h36
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Avaliação diagnóstica no processo de habilitaçãoO processo de formação de condutores já é marcado por dois tipos de avaliações que funcionam como um filtro: a médica e a psicológica. No aspecto pedagógico, a avaliação diagnóstica é a avaliação inicial que pode ser feita tanto pelos diretores de ensino quanto pelos instrutores já no momento da matrícula no CFC. O objetivo é obter informações mais detalhadas sobre o candidato para que o processo de ensino e de aprendizagem da direção veicular seja organizado de acordo com as situações e necessidades identificadas.

A avaliação diagnóstica é preventiva e possibilita identificar indicadores importantes, tais como: o motivo que levou o candidato a se matricular no CFC, se já teve contato com a direção veicular, com quem e como; se já dirige regularmente mesmo não sendo habilitado; se já se envolveu em situações traumáticas, acidentes de trânsito e de que forma isso afeta a sua autoestima, segurança e autoconfiança.

Considerando que o candidato é o melhor informante sobre si mesmo, a avaliação diagnóstica pode indicar se o aluno tem medo de dirigir, aspectos sobre o grau de ansiedade, como lida com as dificuldades, com situações sob pressão, dentre outros detalhes extremamente relevantes no processo de ensino e de aprendizagem da direção veicular.

Geralmente, as autoescolas e os seus profissionais sabem muito pouco sobre os seus alunos e raros são os instrutores que levam em conta aspectos individualizados na hora de ensinar a dirigir. É evidente que todos sabem que pessoas mais jovens têm comportamentos, reações e respostas diferenciadas em relação a pessoas com mais idade, mas só isso não basta. Quando se conhece um pouco da história de vida, do perfil e das características de cada candidato, é possível compreender melhor e até prevenir dificuldades de aprendizagem que possam passar mascaradas até o final do processo de habilitação.

Quando se conhece as aptidões, os interesses e se tem outras informações por meio de um diagnóstico inicial, fica mais fácil para o instrutor trabalhar as ações pedagógicas e eliminar as dificuldades de aprendizagem persistentes.

Há quem diga que isso é tarefa do psicólogo perito examinador do trânsito, mas não é verdade, até porque não estamos falando de avaliação psicológica, uma atribuição exclusiva do psicólogo. Mas, sim, de avaliação diagnóstica.

Estamos falando da necessidade de saber um pouco mais sobre quem é aquela pessoa que veio se matricular na autoescola: se ela se matriculou por necessidade de dirigir, porque está sendo pressionada por alguém, quais seus sentimentos e emoções em relação a dirigir, se passou por algum tipo de experiência que possa dificultar seu processo de aprendizagem, se tem medo de dirigir, dentre outras informações importantes.

Muitas profissões e áreas de conhecimento utilizam a avaliação diagnóstica, também conhecida como anamnese, histórico, avaliação inicial, formulário de contato, dentre outros. Funciona também como um momento de acolhimento, de conhecimento de habilidades, competências, percepções sobre o outro e dificuldades.

Há, ainda, quem diga que essa tal de avaliação diagnóstica será mais uma coisa para o instrutor fazer. Há, ainda, quem reduza a ação do instrutor ao ensino e treinamento mecânico e repetitivo de ações e fundamentos básicos para colocar o veículo em movimento com segurança. Mas, quem leva o processo de formação de condutores a sério (e temos muitos profissionais com formação em Pedagogia e Psicologia nas autoescolas) sabe que a profissão e a tarefa de ensinar a dirigir é mais nobre que isso.

O que temos hoje em termos de ensino e aprendizagem da direção veicular no Brasil, na expressiva maioria dos casos, é uma metodologia ultrapassada, focada na memorização e em macetes para passar no exame prático. E o pior: com a anuência e a condescendência de quem não deveria permitir. O youtube que o diga, cheio de vídeos com dicas milagrosas, narradas e cantadas por instrutores ou por quem sempre tem um macete novo para ensinar.

E assim, vai-se substituindo o ensino significativo pela instrução mecânica; a formação de condutores pelo adestramento de condutores para diminuir índices de reprovação.

É fato que não se exige dos instrutores e dos CFC’s formação em Pedagogia para ensinar a dirigir. Mas, também é fato que todo CFC carrega a marca e o compromisso pedagógico de formar condutores, e isso é muito mais do que apenas instruir ou orientar o candidato a executar movimentos que ele não compreende e não vai saber consertar depois que algo dá errado.

Autoescolas deveriam ser escolas de ensino e de aprendizagem da direção veicular significativa e defensiva, e graças ao bom senso, alguns já estão compreendendo e executando isso. O compromisso pedagógico, que é o grande diferencial dos CFC’s e seus profissionais, não deveria se limitar a entrega ao Detran de um documento formal dentro do prazo, mas que não sai do papel.

É fato que 20 horas-aula é muito pouco para se ensinar e aprender a dirigir, mas o resultado é ainda mais desastroso quando se pauta o ensino e a aprendizagem pela memorização e pelo adestramento para passar na prova.

Enquanto não se aplica à essa questão a mesma mobilização e força que se aplicou para derrubar a obrigatoriedade dos simuladores de direção, é o compromisso com a aprendizagem significativa que vai fazer toda a diferença. Começando pela possibilidade da avaliação diagnóstica dos candidatos para melhorar as práticas pedagógicas e docentes dos CFC’s e seus profissionais.

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