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21 de julho de 2024

Artigo – Inovações


Por Artigo Publicado 28/09/2022 às 21h00 Atualizado 08/11/2022 às 21h03
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J. Pedro Corrêa aborda o que chama de falta de interesse da comunidade de trânsito de discutir inovações importantes que ocorrem pelo mundo mais desenvolvido. Ele dá o exemplo do ISA, o Assistente Inteligente de Velocidade.

Uma das coisas que me desagrada por aqui é o fato de quase não ver a comunidade do trânsito discutir inovações anunciadas em outros lugares do mundo e que poderiam despertar atenção da sociedade brasileira. Participo de inúmeros grupos de discussão e sinto falta disto. Como não somos um país ‘de ponta”, acabamos importando um mundo de soluções já aplicadas em outros lugares. Isto se aplica muito no universo do trânsito e passa por veículos, componentes, acessórios de segurança, técnicas de gestão, etc., que tornam nosso trânsito, carros e caminhões cada vez mais parecidos com os de outros mercados.

O que me chama a atenção é a falta da discussão sobre estas novidades e dos benefícios que provocariam seja na segurança, na gestão do fluxo do trânsito ou mesmo das melhorias do meio ambiente.


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Não é que não saibamos desses fatos com antecedência. A imprensa internacional os veicula, discute estas novidades assim que surgem. A imprensa automotiva brasileira também faz os mesmos registros na suas colunas especializadas assim como tece seus comentários. O que não entendo é como estas notícias não são discutidas no universo do trânsito que deveria tanto se interessar por elas.

Vou dar um exemplo. Desde algum tempo tem sido divulgado que carros novos dos países da União Europeia passam a utilizar uma nova tecnologia chamada ISA (Intelligent Speed Assistance). Isto é, um assistente inteligente de velocidade. Como o próprio nome diz, trata-se de equipamento colocado no sistema de freios dos carros que alerta e, de certa forma até dificulta, de forma eletrônica, que o motorista exceda a velocidade.

Este equipamento esteve em testes na Europa durante 20 anos, sofrendo aperfeiçoamentos sistemáticos ao longo deste tempo. Eu mesmo tive oportunidade de conhecê-lo na Universidade de Lund, no sul da Suécia, na fase inicial de testes, lá por 2003-2004. Me lembro da sensação estranha quando acelerava o carro e de repente o pedal do acelerador travava e não respondia ao comando de aumentar a velocidade.

Pois bem: a União Europeia está anunciando o ISA como uma das grandes armas para combater o excesso de velocidade em todos os seus países membros.

A prefeitura de Nova Iorque está iniciando um teste-piloto na cidade com 50 carros com tecnologia ISA. Nesse sentido, determinará a obrigatoriedade do seu uso a partir de 2024 por todos os veículos destinados aquele mercado. Na verdade, Nova Iorque também está discutindo por estes dias a adoção de medidas para dotar os veículos de um conjunto de tecnologias que aumentarão em muito a segurança veicular e, consequentemente ajudarão a baixar a violência no trânsito da maior cidade dos Estados Unidos.

É uma pena que nossa comunidade ligada ao trânsito não seja envolvida mais em discussões deste tipo que seriam tão benéficas aos brasileiros em geral.

Quando defendo o fortalecimento da cultura de segurança no trânsito no Brasil, refiro-me também a esta falha na pauta dos grandes temas que a sociedade deve debater. Muitos dos sinistros fatais que ocorrem no Brasil poderiam ter sido evitados se discussões sobre o uso de novas tecnologias e inovações, por exemplo, fossem amplamente conhecidas pela sociedade.

A maior exceção, nestes últimos anos, foi a divulgação da experiência do Visão Zero. Ou seja, ela iniciou na Suécia no fim do século passado e, agora, está em certa evidência no Brasil. Tomando este exemplo, podemos ter uma ideia de como vamos nos familiarizando com progressos na segurança no trânsito. E, assim, melhorando a qualidade de vida no trânsito das nossas cidades e do país como um todo.

Por que isto acontece? O que chamo de falta de interesse, resulta-se possivelmente de um hábito nosso de pouco ler jornais bem como revistas. Ou, ainda, de procurar com maior insistência na mídia, assuntos que possam ser da curiosidade da sociedade, como inovações tecnológicas. E assim sendo, melhorar sua cultura de segurança no trânsito.

Qual é a importância disto? O quanto isto nos faz falta, efetivamente?

A resposta a estas simples perguntas está no número de sinistros, de mortos, feridos, assim como de perdas materiais que registramos a cada ano nas nossas ruas e estradas. Tivéssemos mais informações, dominássemos mais estas matérias e certamente poderíamos fazer outras escolhas no trânsito. Além disso, mudar nosso comportamento inseguro e assim ganhar a qualidade de vida que tano invejamos nos outros.

Entendo que procurar inserir/aumentar estes temas, como inovações, no cotidiano nacional é da responsabilidade daqueles que lidam com o trânsito no nosso país. Como nós, por exemplo, que escrevemos e debatemos o trânsito. Temos que lembrar que, quando melhoramos o nível da sociedade, estamos elevando também o nível dos nossos familiares, filhos, netos, parentes e amigos mais próximos. Dessa forma, procurando assegurar um futuro melhor para toda a nação.

* J. Pedro Corrêa é consultor em programas de segurança no trânsito.

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