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13 de julho de 2024

Artigo – Se eu fosse o Lula…

J. Pedro Corrêa lembra de uma ideia frustrada de tentar influenciar o Presidente Lula, no tempo do seu segundo mandato, a “dar um jeito” no trânsito brasileiro.


Por Artigo Publicado 19/12/2022 às 18h00
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Há mais de 10 anos, quando Lula ainda estava no seu segundo mandato, durante algum tempo, tentei engendrar, bolar um plano meio sonhador para chacoalhar o trânsito brasileiro. Nossos índices de fatalidades passavam dos 40 mil mortos e era imperativo fazer alguma coisa. Vários planos já haviam sido propostos ao Governo Federal por diferentes grupos ligados ao trânsito, mas foram parar nas gavetas da Casa Civil da Presidência da República e, pelo visto, de lá não saíram.

Meu plano era conseguir saber quem “fazia a cabeça” do Lula e, através desta pessoa, procurar levar o presidente a se interessar pelo trânsito que, como há muito tempo, continuava sendo o patinho feio do governo.

Quem papeava com o presidente fora do expediente? Quem assistia com ele os filmes de fim de noite no Alvorada? Enfim, quem era seu confidente.

A ideia era mostrar ao Presidente que nosso trânsito estava na contramão e que bastava um olhar dele mais atento e uma manifestação de desejo de colocar a coisa em ordem para que a mudança pudesse acontecer. Claro, não se tratava de esperar que de uma hora para a outra, o trânsito brasileiro se tornaria suíço ou sueco. No entanto, o fato de o presidente da república decidir reenquadrá-lo, determinando a execução de um plano que mirasse 2030, 2040 ou 2050 teria um efeito inimaginável. Tenho repetido que, hoje, o Brasil tem praticamente (quase) tudo o que precisa para colocar um sonho destes em pé. Por exemplo: conhecimento, gente qualificada, recursos e parceiros de valor.

Não fiz grandes progressos nas minhas pesquisas para saber quem influenciava Lula, mas logo a seguir tive uma boa surpresa ao vê-lo assinando um dos prefácios do Relatório Mundial sobre Prevenção de Lesões no Trânsito-2004, da Organização Mundial da Saúde e ONU. Nele, o presidente citava o CTB de 1998 como um grande reforço para reduzir as fatalidades no trânsito e concluía afirmando que “É por isso que a segurança rodoviária continuará a ser uma prioridade para o meu Governo.

Como a segurança viária não virou prioridade naquela época, que tal se virasse agora, que ele assume pela terceira vez o comando do país? Quem será o seu amigo(a) que teria condições de dizer: “Lula, se eu fosse você, jogaria pesado para colocar o trânsito na mão certa”! É uma oportunidade e tanto.

Até o momento em que escrevia estas linhas (16/12), não se tinha ideia de quem poderia ser indicado para comandar o trânsito brasileiro. Nem, ainda, o ministro do setor.

Na verdade, neste momento, não estou nem pensando em nome para dirigir a área, mas na importância que o novo governo pode dar a ela. Oxalá possa ser um bom gerente. Alguém comprometido com a boa gestão do trânsito, capaz de escolher bons técnicos, estes sim, fundamentais para desenhar um cenário para as próximas décadas.

Pelo que deu a entender, na sua gestão, Lula sairá pelo mundo afora para “vender” o Brasil. Se eu pudesse, o lembraria de que o trânsito é o primeiro cartão de visita de um país. Lembraria que trânsito tem tudo a ver com cidadania. Além disso, com qualidade de vida, com igualdade social, com modernidade, enfim, com muitos pontos que fazem parte do seu discurso atual.

Enfim, se fosse o Lula, agregaria a busca do trânsito humano, não violento, que ajuda o ir e vir do brasileiro em segurança e em paz. Isso como um novo item de sua ambiciosa agenda para os próximos 4 anos, deixando o caminho pavimentado para as próximas décadas. Todos sabemos, pelas experiências de outros países que estão muito à nossa frente, que acertar o passo do trânsito é um processo lento, penoso, que atravessa gerações, não impossível, mas indispensável. Vontade política é o elemento indispensável para alicerçar este sonho.

Quem consegue contar este sonho ao presidente?

* J. Pedro Corrêa é consultor em programas de segurança no trânsito.

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