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25 de julho de 2024

Estudo aponta fatores de risco para motociclistas no Brasil

O objetivo é buscar soluções efetivas e sustentáveis que evitem a ocorrência de sinistros e que amenizem as consequências e gravidades dos sinistros que, mesmo assim, ocorrerem.


Por Pauline Machado Publicado 08/03/2023 às 13h30
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Fatores de risco para motociclistas
A participação das motos na frota veicular nacional passou de 14,4% para 27,1% em 20 anos. Foto: Depositphotos

Dados de registros de veículos da Secretaria Nacional de Trânsito – SENATRAN apontam que nos últimos 20 anos houve um crescimento desproporcional no uso de motocicletas no Brasil, com a participação das motos na frota veicular nacional passando de 14,4% para 27,1% no período.

Como resultado temos, aproximadamente, 35,1% dos óbitos decorrentes de sinistros de trânsito no país envolvendo condutores de motocicletas.

A fim de identificar as principais causas deste problema de segurança viária, o Instituto Cordial divulgou um estudo realizado com apoio da Uber sobre os fatores de risco para motociclistas no Brasil, tendo como base análise de casos das cidades de Campinas, Fortaleza e São Paulo e na literatura internacional.

O objetivo é buscar soluções efetivas e sustentáveis que evitem a ocorrência de sinistros e que amenizem as consequências e gravidades dos sinistros que, ainda assim, acontecem.

“É preciso mudar o paradigma de que apenas a mudança no comportamento do usuário seria suficiente para melhorar a segurança viária, pois apenas isso se mostrou insuficiente para a redução de sinistros e mortes no trânsito nos últimos anos”, considera o Diretor de Operações do Instituto Cordial Luis Fernando Villaça Meyer.

Sistemas Seguros e Visão Zero

Para o Diretor de Operações do Instituto Cordial, é fundamental fazer uso da abordagem de Sistemas Seguros e Visão Zero, que promovem a responsabilidade compartilhada da segurança no trânsito e recomendam uma ação de todos os envolvidos no intuito de promover um sistema seguro de mobilidade. No qual, o planejamento urbano e o desenho viário sejam desenvolvidos para oferecer a capacidade de corrigir eventuais erros e proteger os usuários quando esses erros não podem ser corrigidos, por exemplo.

De acordo com ele, o levantamento contribui para a construção de políticas públicas voltadas à segurança viária dos motociclistas, assim como em orientações para prevenção de sinistros com usuários de serviços de transportes de pessoas e produtos em motocicletas, entrepostos por meio de aplicativos, além de nortear ações de advocacy junto ao poder público.

Perfil dos motociclistas

Os crescentes congestionamentos nas cidades brasileiras, junto ao aumento nos preços da gasolina, à tendência de crescimento dos serviços que utilizam motos, são fatores que contribuem para o crescimento do número de motocicletas no país e, consequentemente, para que a pressão sobre a segurança viária desses usuários seja cada vez maior.

Enquanto São Paulo tem, aproximadamente, 1,1 milhão de motocicletas, Fortaleza e Campinas possuem na faixa de 330 mil e 125 mil, respectivamente. Ao avaliar a evolução histórica da frota entre os anos de 2011 e 2021, a taxa de crescimento mais acentuada ocorreu na cidade de São Paulo. Depois, vem Fortaleza.

Já em relação ao número de motocicletas por 100 mil habitantes, constata-se que Fortaleza é a cidade com maior média (1225), seguida por Campinas (1027) e São Paulo (884).

No período de 11 anos, a capital cearense foi a cidade com maior crescimento proporcional, com uma variação de 471 motocicletas por 100 mil habitantes. Seguida por São Paulo (222) e Campinas (129).

Na cidade de Fortaleza, a predominância é de vítimas do sexo masculino (80,93% contra 19,07% do sexo feminino). Quanto às faixas etárias, 45.66% dos condutores de motocicletas envolvidos em sinistros possuem de 31 a 50 anos. Porém, entre as vítimas de sinistros com motocicletas, incluindo passageiros e ocupantes de outros veículos envolvidos no sinistro, 50% está na faixa dos 51 anos ou mais. Portanto, a faixa de idade dos condutores de motocicleta envolvidos em sinistros não necessariamente coincide com a faixa de idade das vítimas envolvidas naqueles mesmos sinistros.

Outro dado preocupante é que aproximadamente 1% dos condutores de motocicleta envolvidos em sinistros possuía menos de 18 anos. Ou seja, estavam conduzindo sem habilitação.

Já em São Paulo, a grande maioria das vítimas envolvidas em sinistros com motocicleta são do sexo masculino (82,60%). Além disso, são os próprios condutores do veículo (75,78%). Apenas 17,40% são do sexo feminino, 12,72% são passageiros e 11,50% são pedestres.

Quanto à faixa etária, o maior número de vítimas é dos 18 aos 30 anos (48,23%). Seguida pelos condutores de 31 aos 50 anos de idade (39,14%). Por limitações na base de dados, não foi possível obter as características das vítimas que moram na cidade de Campinas.

Fatores causadores de sinistros

De acordo com o estudo, a principal causa dos sinistros viários é a colisão. Nas três cidades pesquisadas é o principal motivo, sendo (75,06%) em Fortaleza, (69,57%) em São Paulo e (59,76%) em Campinas.

Em São Paulo, o atropelamento foi a segunda principal causa de sinistros com (11,17%) contra (6,31%) em Fortaleza. Já a queda é o segundo causador de sinistros em Fortaleza (16,34%) contra (11,6%) em São Paulo.

Em São Paulo, o tipo de veículo mais comum de se envolver em um sinistro com motocicleta é o carro (71,39%). A justificativa talvez seja a conflituosa relação dos motociclistas com os motoristas. E 21,25% dos sinistros ocorrem apenas com motocicletas.

No comparativo com a cidade de Fortaleza, observa-se que, em 57,59% dos casos, automóveis estão envolvidos. Em 38,55% dos sinistros estão envolvidos apenas motocicletas. Já em Campinas a maioria dos sinistros com motocicletas também envolve outros automóveis (53,92%) ou apenas motocicletas (34,14%).

Apesar da maioria dos sinistros terem ocorrido à luz do dia, os mais graves foram durante a madrugada, à noite e ao amanhecer.

O estudo também apontou que vias expressas e arteriais tendem a ter mais sinistros fatais e graves. Isso talvez seja explicado pela maior velocidade desenvolvida nesses locais.

“Além disso, um dos pontos de reflexão é que devido ao cansaço, sonolência ou até a maior tendência ao consumo de álcool e drogas e por número menor de veículos na via, os motociclistas acabam abusando da velocidade”, acrescentou o Diretor de Operações do Instituto Cordial, Luis Fernando Villaça Meyer.

Conforme o estudo, as condições climáticas, como pista molhada, também contribuem para sinistros de trânsito fatais e mais graves do que nas demais condições de clima. Além disso, temos ainda o comportamento de risco dos motociclistas, a falta de respeito às leis de trânsito e visibilidade na lista dos fatores que mais contribuíram para a ocorrência de sinistros.

O baixo uso do vestuário de proteção está associado com maior frequência de fraturas de membros inferiores e superiores. Assim como, mostra a falta de percepção dos riscos. Identificou-se também que o tempo que se passa pilotando, mantendo a atenção e descansado, é menos importante do que a qualidade da direção. Uma vez que, apesar dos motofretistas estarem mais expostos (pilotarem em torno de oito horas por dia, enquanto os motociclistas, em geral, pilotam duas horas), possivelmente são condutores mais experientes.

Entendimento final sobre fatores de riscos para motociclistas

O estudo valeu-se de extensa revisão bibliográfica sobre os fatores de risco assim como medidas eficazes para a redução de sinistros envolvendo motociclistas, processamento e análise de dados de sinistros por motocicleta nas três referidas cidades brasileiras e sumarização de debates promovidos pelo Instituto Cordial com atores-chaves do setor.

Por fim, a conclusão aponta para boas práticas, recomendações e agenda de ações que visem melhorar a segurança viária para motociclistas. “Mapeamos ações que devem ser adotadas pelos setores responsáveis. Sejam eles para os motociclistas, melhorias de engenharia, fiscalização bem como monitoramento, empresas privadas que contratam os serviços, campanhas de educação e conscientização. Além de normas e ações do poder público para a diminuição do número de vítimas e a redução do número de sinistros”, finaliza Luis Fernando.

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