Nós usamos cookies para melhorar a sua experiência em nossos sites, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao acessar o Portal do Trânsito, você concorda com o uso dessa tecnologia. Saiba mais em nossa Política de Privacidade.

27 de fevereiro de 2024

Segurança: conheça as tecnologias que detectam sono em motoristas e o fator privacidade

Quando o assunto é prevenção de acidentes e valorização da vida, a Europa mostra o caminho a seguir.


Por Pauline Machado Publicado 07/12/2023 às 15h00
 Tempo de leitura estimado: 00:00
Sono motoristas
Estudos apontam que até 50% de todos os sinistros de trânsito na Europa estão relacionados a fadiga, sono ou distração dos motoristas. Foto: alex.wolf para Depositphotos

Quando o assunto é prevenção de acidentes e valorização da vida, a Europa mostra o caminho a seguir seja nas ruas ou estradas do velho continente. Como exemplo, entrará em vigor, a partir de 2024 o pacote de regulamentações do Euro NCAP – programa europeu de segurança em automóveis, o qual obrigará que todos os veículos saiam das fábricas da União Européia com algum tipo de sistema de monitoramento de fadiga e sono instalados como padrão de medida de segurança.

Assim como o cinto de segurança e o airbag quebraram importantes paradigmas como proteções essenciais a motoristas, a câmera será ainda mais eficaz, pois protegerá não somente os ocupantes dos veículos, mas também pedestres que estarão mais seguros. Dessa forma, beneficiados pela iminente redução de acidentes, uma vez que dados da Comissão Europeia apontam que até 50% de todos os acidentes estão relacionados a fadiga ou distração.

No entanto, Sidnei Canhedo, mestre em Saúde Ambiental e Gestor da Optalert, biotech australiana, líder mundial em tecnologia de controle de fadigas, diz que serão 11 novas adições de segurança, sendo a principal, a tecnologia que detecta sono. Todas elas destinadas a prevenir a deterioração do estado do condutor e minimizar a possibilidade de acidentes.

Ainda conforme o especialista, o Bloco estima que estes novos regulamentos sejam capazes de salvar mais de 25 mil vidas. Além disso, evitarem mais de 140 mil ferimentos graves até 2038. No Brasil, ainda temos que caminhar um pouco mais.

“Se na Europa os avanços na implantação desses sistemas começam a se tornar realidade, no Brasil o ambiente é de estagnação e lamento. A sociedade vive à margem desses debates, parlamentares não priorizam o tema em suas agendas e a indústria age de modo passivo, aguardando por uma lei que os obrigue a seguir normativas como as europeias”, lamenta o executivo.

Segundo ele, quando o assunto é tecnologia que atuará na leitura dos movimentos oculares, uma das críticas mais rasas e sem fundamentos que surgem de opositores é sobre a privacidade.

“Primeiramente, é preciso que se faça uma distinção sobre o monitoramento de motoristas profissionais, dos que utilizam o veículo próprio, seja para passeio ou como transporte para acessar o trabalho. No caso dos profissionais, já existe no Brasil tecnologia aplicada, por exemplo, na indústria de mineração, em operações fechadas no modelo chamado de caminhões fora-de-estrada. Trata-se de uma tecnologia composta de um óculos e um tablet que alertam, em tempo real, os sinais iniciais de sonolência, tanto para o motorista como a controladores localizados em uma cabine de segurança dentro da mina”, explica.

Como funciona

Canhedo explica que o sistema preventivo gera um sinal com uma antecedência de cerca de 15 minutos antes que o operador chegue ao micro cochilo. Assim como, a leitura funciona por meio de um sensor que analisa os reflexos das pálpebras e um processador integrado que digitaliza os reflexos a 500 vezes por segundo.

De acordo com o especialista, os resultados são os mais expressivos do mercado global. Dessa forma, reduzindo a ocorrência de acidentes em até 97%, protegendo os colaboradores e a produtividade da empresa. “Evidente que essa tecnologia foi desenvolvida não apenas para detectar e agir de forma preditiva. Mas também para colher dados capazes de gerar minuciosos relatórios de desempenho, municiando avaliações para futuras identificações de problemas de saúde dos colaboradores. A coleta de dados sobre a atuação do condutor é essencial”, destaca.

Para outros tipos de atividades como a de motoristas de ônibus de linhas comerciais ou a de caminhoneiros, Canhedo ressalta que o monitoramento, embora feito de forma diferente por não haver a cabine de controle próxima à operação, também visa a segurança. “Se rastreadores veiculares já são compreendidos como um aliado contra maus condutores ou até mesmo sequestros, os sistemas que monitoram fadiga devem ser ainda mais valorizados. Isso porque preservam diretamente a vida dos próprios condutores. Atualmente, a cobertura e velocidade de internet ainda não permitem que se monitore a avaliação em tempo integral. No entanto, é questão de tempo para que isso se torne realidade. Hoje, a função dos sensores embarcados é a de captar e alertar o motorista. Além disso, o ocorrido ficará registrado posteriormente para a avaliação da gestão da frota”, ilustra.

Carros de passeios

Essa mesma tecnologia ou similar também irá equipar os carros europeus novos no ano que vem. No entanto, ele enfatiza que alguns críticos equivocados afirmam que por se tratar de um mecanismo eletrônico sensorial, capaz de manter os registros dos ocorridos, poderá ser utilizado como prova concreta de que o motorista realmente estava com fadiga ou sono. E, portanto, foi o culpado do acidente por imprudência.

“Essa preocupação entre motoristas irresponsáveis tem como base, por exemplo, legislações rigorosas como a de dois estados norte-americanos: Nova Jersey e Arkansas. Por lá, as regras de trânsito criminalizam condutores que se arriscam a guiar em condições de fadiga ou sono. Em Nova Jersey, por exemplo, a condução ‘conscientemente sonolenta’ pode levar a pessoa a ser acusada de homicídio veicular. O estatuto da ‘Lei de Maggie’ define como fadiga estar sem dormir por um período superior a 24 horas consecutivas. O infrator é cobrado no mesmo nível que um condutor embriagado”, exemplifica.

Ainda em sua opinião, se houvesse essa lei na Europa, seria possível utilizar os equipamentos que passarão a constar nos veículos em 2024 como uma fonte de prova da irresponsabilidade. Uma espécie de ‘caixa preta do sono’. “Esse argumento se disfarça como uma reclamação que infringiria a privacidade dos motoristas. Não há lucidez nessa retórica. No Brasil, infelizmente a aprovação da obrigatoriedade ainda está longe da realidade. Além disso, mais distante está aprovações rigorosas como a desses estados americanos que responsabilizam criminalmente o condutor. Esperamos que a sociedade cobre de seus legisladores ações concretas que estimulem a educação de motoristas quanto ao problema de sono ou fadiga. E que eles entendam que é preciso parar para um descanso ou que entreguem o volante a outro condutor. Tecnologias embarcadas como a de monitoramento nos veículos tem uma só missão: salvar vidas!”, finaliza Canhedo.

Receba as mais lidas da semana por e-mail

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *