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21 de junho de 2024

Álcool e direção: como o consumo de álcool afeta os motociclistas?

Estudo apontou que apenas 10% das internações de motociclistas por acidentes de trânsito evoluíam para a alta do paciente sem nenhum prejuízo ou incapacidade


Por Assessoria de Imprensa Publicado 02/06/2024 às 08h00
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Álcool e motociclistas
Estudo do CISA faz um alerta importante: o consumo de álcool é um importante fator de risco para acidentes de trânsito. Foto: Armands photography para Depositphotos

O mês de maio chegou ao fim e com ele o final da campanha do Maio Amarelo. No entanto, um estudo do Centro de Informações de Saúde e Álcool faz um alerta importante que convida à sociedade a refletir sobre a importância de continuar falando sobre trânsito e segurança: o consumo de álcool é um importante fator de risco para acidentes de trânsito (ATs).

No Brasil, a OMS aponta que a estimativa da contribuição do álcool para óbitos relacionados aos ATs é de 36,7% e 23% para pessoas do sexo masculino e feminino, respectivamente. Embora não existam estatísticas precisas sobre o número de mortes por ATs atribuíveis ao álcool no Brasil, através destas frações atribuíveis ao álcool, o CISA estima que, em 2021, 10.877 óbitos poderiam ter sido evitados se o álcool não tivesse sido consumido.

Conforme o estudo, uma parcela importante destes óbitos ocorre com motociclistas, que, mesmo que não tenham bebido, estão sob maior risco de acidentes fatais por conta da menor proteção contra lesões oferecida por este tipo de veículo. 

Visando contribuir para aprofundar o entendimento sobre essas questões, o CISA fez uma análise dos ATs atribuíveis ao álcool de 2010 em diante, discriminada pela condição da pessoa envolvida no acidente de trânsito, a partir de quatro categorias: pedestre, ciclista, motociclista bem como ocupante de automóvel, visando contemplar as principais categorias envolvidas em acidentes de trânsito urbanos. 

Alguns dados iniciais podem ser visualizados abaixo. Para obter o relatório completo, baixe aqui “Panorama 2023: Álcool e a Saúde dos Brasileiros”.

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Figura 1. Internações de motociclistas, segmentadas por faixa etária, ATs atribuíveis ao álcool, de 2010 a 2021.

O CISA observou, através de análise estatística, um aumento anual médio de 4,41% na taxa de internações para a categoria dos motociclistas. A faixa etária de 18 a 34 anos é a mais afetada por este agravo, tendo apresentado mais de 40 internações por 100 mil habitantes em 2021. 

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Figura 2. Óbitos de motociclistas, segmentados por faixa etária, por ATs atribuíveis ao álcool, de 2010 a 2021. 

Já os óbitos por ATs atribuíveis ao álcool entre motociclistas apresentam estabilidade ao longo dos anos analisados. Para a faixa de 18 a 34 anos, observa-se uma tendência de redução, sem significância estatística. Esta faixa etária apresentou maior taxa de óbitos em 2012, com 4,2 óbitos por 100 mil habitantes, e menor taxa em 2021, com 3,2 óbitos por 100 mil habitantes.  

De acordo com o Ministério da Saúde as internações de motociclistas aumentaram 55% em dez anos (Agência Brasil, 2023). Há indicativos na literatura científica mostrando que essa categoria é a mais afetada por esse agravo (Rios et al., 2019), mas ainda faltam estudos examinando os motivos dos aumentos de internações e estabilidade de óbitos nesta categoria, observados de 2010 a 2021. Nesse sentido, um estudo realizado por Souza e colaboradores (2022) indicou a mesma estabilidade na taxa de óbitos por acidentes de trânsito observada na análise do CISA para o período de 2015 a 2020.

Uma análise de 2023, com dados de 2008 a 2018, aponta que, entre motociclistas brasileiros, apenas 10% das internações por acidentes de trânsito evoluíam para a alta do paciente sem nenhum prejuízo ou incapacidade, ao passo que 82% resultavam em algum prejuízo ou incapacidade temporária, 4% resultavam em um prejuízo ou incapacidade permanente e 4% resultavam em óbito.

Referente a esta parcela de 82% para lesões temporárias, é necessário considerar também o impacto econômico e social dessas ocorrências, dado que muitos motociclistas utilizam a própria moto como instrumento de trabalho e não possuem vínculo empregatício formalizado que garanta algum tipo de assistência em caso de afastamento, situação que se agrava com a crescente demanda por “motoboys”, principalmente em ambientes urbanos.

Além da exposição e dos maiores riscos de fraturas e acidentes graves característicos do tipo de veículo, um estudo recente aponta que a condição precária de trabalho e as demandas de “velocidade de entrega” podem ser fatores estressores e de extremo risco para esta população. Mais estudos e melhores condições de trabalho para esses trabalhadores são necessários para evitar que eles continuem sendo tão impactados pelos acidentes de trânsito . 

As informações são do CISA

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